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Glossário · Perturbação do Sono-Vigília

Sonambulismo e Terrores Noturnos

12 min de leitura8 referências científicas

Uma criança acorda os pais a meio da noite com um grito assustador. Está sentada na cama, com os olhos abertos, assustada, a suar e a respirar depressa. Os pais tentam acalmá-la, mas ela parece não os reconhecer. Passados alguns minutos, deita-se outra vez e volta a dormir. De manhã, não se lembra de nada. Noutra família, uma criança levanta-se da cama durante a noite, anda pela casa, abre portas, mexe em objetos e parece acordada. Mas não responde normalmente e, no dia seguinte, também não se lembra do episódio. Estas situações podem corresponder a terrores noturnos ou sonambulismo.

O sonambulismo e os terrores noturnos são parassonias — comportamentos ou experiências que acontecem durante o sono. Na maioria das crianças, são episódios assustadores para quem assiste, mas geralmente não representam uma doença grave. O principal risco é a segurança: quedas, bater em objetos, sair de casa ou magoar-se durante o episódio.

A Psicoterapia HBM não é indicada para tratar sonambulismo ou terrores noturnos. A abordagem principal deve focar-se em segurança, sono suficiente, horários regulares, redução de fatores que precipitam os episódios e avaliação médica quando necessário.

O que é — Definição Clínica

De acordo com o DSM-5-TR, o sonambulismo e os terrores noturnos pertencem ao grupo das Perturbações de Despertar do Sono Não-REM. Este nome significa que a pessoa tem um despertar incompleto a partir do sono profundo. Uma parte do cérebro fica ativada, mas outra parte continua em sono. Por isso, a pessoa pode mover-se, gritar, sentar-se ou andar, mas não está plenamente acordada. Estes episódios acontecem mais frequentemente no primeiro terço da noite, quando o sono profundo é mais abundante.

Sonambulismo

No sonambulismo, a pessoa pode levantar-se da cama, andar pela casa, ficar com olhar fixo, não responder normalmente, parecer confusa, ser difícil de acordar, e não se lembrar do episódio no dia seguinte.

Terrores noturnos

Nos terrores noturnos, a pessoa pode gritar de forma súbita, parecer aterrorizada, sentar-se na cama, chorar ou agitar-se, respirar depressa, suar, ter o coração acelerado, não reconhecer quem tenta acalmá-la, e voltar a dormir sem recordar o episódio.

Diferença entre terrores noturnos e pesadelos

CaracterísticaTerrores noturnosPesadelos
Momento da noiteMais comuns no primeiro terço da noiteMais comuns na segunda metade da noite
Tipo de sonoSono profundoSono de sonho
DespertarA pessoa está confusa e difícil de acordarA pessoa acorda mais facilmente
MemóriaGeralmente não se lembraCostuma lembrar-se do sonho
Resposta ao confortoPode não reconhecer os pais ou parceiroGeralmente aceita conforto
ConteúdoMedo intenso sem história claraSonho assustador com narrativa

Sintomas e Sinais

Tipo de episódioO que pode acontecerPrincipal risco
Sonambulismo simplesSentar-se, levantar-se, andar pela casaQuedas e acidentes
Sonambulismo complexoAbrir portas, mexer em objetos, comer, sair de casaLesões e situações perigosas
Terrores noturnosGritos, medo intenso, agitação, suor, coração aceleradoPerturbação familiar e raramente lesões
Despertar confusionalConfusão ao acordar, fala incoerente, desorientaçãoAgitação e dificuldade em acalmar

Olhar aberto e amnésia do episódio

A pessoa pode estar de olhos abertos e parecer acordada, mas não responde como responderia durante o dia. Pode olhar através dos outros, não reconhecer os pais ou não seguir instruções. Na manhã seguinte, a pessoa geralmente não se lembra do que aconteceu — isto é muito típico dos despertares incompletos do sono profundo. Nos terrores noturnos, a intensidade do medo pode ser impressionante para os pais, mas a criança muitas vezes não está consciente da presença dos pais e não se lembrará do episódio.

Comportamentos automáticos

Algumas pessoas podem executar ações automáticas, como abrir gavetas, mexer em objetos, tentar sair de casa ou falar frases sem sentido. Em adultos, episódios complexos ou perigosos devem ser avaliados com especial cuidado.

Causas e Fatores de Risco

O sonambulismo e os terrores noturnos acontecem quando o cérebro desperta apenas parcialmente durante o sono profundo. A pessoa não está totalmente acordada, mas também não está num sono estável. Esse estado intermédio permite movimentos, gritos ou comportamentos automáticos sem consciência plena. São mais comuns em crianças e muitas melhoram com o crescimento. Em adultos, os episódios podem continuar desde a infância ou aparecer de novo — quando começam pela primeira vez na idade adulta, devem ser avaliados.

Fatores precipitantes

Há maior probabilidade de sonambulismo ou terrores noturnos quando outros familiares tiveram episódios semelhantes. A privação de sono é um dos principais fatores precipitantes — quando a criança ou adulto dorme pouco, o sono profundo pode ficar mais intenso, aumentando a probabilidade de despertares incompletos. Em crianças, febre ou doença aguda podem facilitar episódios. Stress, ansiedade e tensão emocional podem agravar episódios em algumas pessoas, sobretudo em adultos — mas isto não significa que a causa seja psicológica nem que a Psicoterapia HBM seja indicada como tratamento. Em adultos, álcool, sedativos, alguns medicamentos para dormir e outras substâncias podem aumentar o risco de episódios.

Outras perturbações do sono associadas

Condições que fragmentam o sono podem desencadear ou agravar episódios, como apneia obstrutiva do sono, movimentos periódicos das pernas, síndrome das pernas inquietas, dor, ruído e necessidade de urinar durante a noite. Horários muito variáveis, dormir tarde, acordar cedo e acumular cansaço também podem aumentar episódios.

Como é Diagnosticada

Na maioria dos casos, o diagnóstico é clínico — feito com base na descrição dos episódios pela pessoa, pais, parceiro ou outras testemunhas. O profissional pode perguntar a que horas da noite acontece, quanto tempo dura, o que a pessoa faz, se há gritos, medo ou caminhada, se responde quando falam com ela, se se lembra no dia seguinte, se houve quedas ou lesões, se há história familiar, se há febre, cansaço, stress, álcool ou medicação, e se há ronco, pausas respiratórias ou movimentos das pernas.

Vídeo, diário do sono e estudo do sono

Quando possível e seguro, um vídeo gravado por familiares pode ajudar muito na avaliação. O diário do sono pode ser útil durante algumas semanas, registando hora de deitar, hora de acordar, episódios, sestas, febre, stress, medicação, consumo de álcool e privação de sono. O estudo do sono com vídeo pode ser indicado quando os episódios são frequentes, há violência ou risco de lesão, há comportamentos complexos, há suspeita de epilepsia noturna, os episódios começam na idade adulta, ou o diagnóstico é incerto.

Diagnóstico diferencial

É importante distinguir de pesadelos, epilepsia noturna, perturbação comportamental do sono REM, ataques de pânico noturnos, apneia obstrutiva do sono, efeitos de medicamentos ou álcool, e perturbações psiquiátricas com sintomas noturnos.

Tratamentos Disponíveis

Na maioria das crianças, não é necessário tratamento médico específico. O mais importante é tranquilizar a família, proteger a segurança e melhorar a regularidade do sono. Os pais devem saber que os episódios são geralmente involuntários e que a criança não está a fazer de propósito. Também devem saber que a criança pode não reconhecer os pais durante o episódio e pode não se lembrar de nada de manhã.

Medidas de segurança

A segurança é a prioridade. Pode ser necessário retirar objetos perigosos do quarto, fechar janelas, trancar portas exteriores, bloquear escadas, evitar camas altas, guardar chaves fora do alcance, proteger cantos ou móveis perigosos, instalar alarmes nas portas em casos de risco, e evitar que a pessoa durma em beliches. Acordar a pessoa não é perigoso no sentido popular do mito, mas pode deixá-la confusa, assustada ou agitada. O mais adequado é falar com calma, evitar confrontos e guiar a pessoa suavemente de volta para a cama. Nos terrores noturnos, muitas vezes é melhor ficar perto, garantir segurança e esperar que passe.

Sono suficiente e despertares programados

Dormir pouco aumenta o risco de episódios. Medidas úteis incluem hora regular para deitar, hora regular para acordar, rotina calma antes de dormir, evitar privação de sono, reduzir ecrãs tarde da noite e evitar atividades muito estimulantes antes de deitar. Quando os episódios acontecem quase sempre no mesmo horário, pode ser útil acordar suavemente a criança cerca de 15 a 30 minutos antes da hora habitual do episódio, durante algumas semanas. Esta técnica deve ser orientada por profissional quando os episódios são frequentes ou perturbadores.

Medicação e apoio psicológico

Se houver ronco alto, pausas respiratórias, movimentos das pernas, dor, febre, refluxo ou necessidade frequente de urinar, esses fatores devem ser avaliados e tratados. Em adultos, evitar álcool antes de dormir e rever medicamentos sedativos com o médico pode ser importante. A medicação raramente é necessária em crianças — pode ser considerada apenas em casos graves, frequentes, com risco de lesão ou grande impacto familiar, sempre por médico especialista. O apoio psicológico pode ser útil quando há stress intenso, ansiedade, medo de dormir, impacto familiar ou sofrimento dos pais. No entanto, a Psicoterapia HBM não é indicada para tratar sonambulismo ou terrores noturnos.

A Clínica da Mente pode ajudar?

Neste caso, a Psicoterapia HBM não é indicada para tratar sonambulismo ou terrores noturnos. Estas perturbações são parassonias do sono profundo e devem ser abordadas através de medidas de segurança, sono suficiente, horários regulares, redução de fatores que precipitam episódios, avaliação médica quando há sinais de alerta, e medicina do sono quando necessário. O apoio psicológico pode ser útil apenas como complemento quando há stress, ansiedade, medo, impacto familiar ou dificuldade dos pais em lidar com os episódios. Mesmo nesses casos, não substitui avaliação médica, estudo do sono quando indicado, tratamento de apneia do sono, revisão de medicação ou medidas de segurança.

Como Viver com Esta Perturbação

Viver com sonambulismo ou terrores noturnos pode ser assustador para a família, mas há medidas simples que ajudam. A pessoa pode parecer acordada, mas não está plenamente consciente — falar alto, discutir ou tentar forçar pode aumentar agitação. Antes de dormir, confirme portas, janelas, escadas e objetos perigosos. Como geralmente não há memória do episódio, gozar ou culpar só aumenta sofrimento. Dormir pouco é um dos principais gatilhos. Registar horários e fatores associados pode ajudar a perceber se os episódios surgem após cansaço, febre, stress ou alterações de rotina. Se a criança dormir fora de casa, pode ser útil informar um adulto responsável, especialmente se houver risco de se levantar durante a noite. Episódios com quedas, tentativa de sair de casa, violência, comportamentos complexos ou início na idade adulta devem ser avaliados.

Mitos e Verdades

MitoVerdade
Nunca se deve acordar um sonâmbulo porque pode morrer.Acordar não causa morte, mas pode causar confusão e agitação. É melhor guiar a pessoa com calma.
Terrores noturnos são pesadelos fortes.Não. Terrores noturnos acontecem no sono profundo e geralmente não deixam memória de sonho.
A criança faz isto para chamar atenção.Não. Os episódios são involuntários.
Se a pessoa está de olhos abertos, está acordada.Pode estar num despertar incompleto, sem consciência plena.
Sonambulismo em adultos é sempre doença psiquiátrica grave.Nem sempre, mas início na idade adulta deve ser avaliado.
A Psicoterapia HBM trata sonambulismo.Não. A abordagem principal é segurança, sono regular e avaliação médica quando necessário.
Os episódios são sempre perigosos.Muitos são benignos; o risco principal são lesões acidentais.
A criança lembra-se do terror noturno.Geralmente não se lembra ou lembra-se muito pouco.

Quando Procurar Ajuda

Deve procurar ajuda médica se os episódios são frequentes, perigosos ou muito perturbadores. Também deve procurar avaliação se há quedas ou lesões, a pessoa tenta sair de casa, há comportamentos violentos, há episódios várias vezes por semana, os episódios começam pela primeira vez na idade adulta, há movimentos muito repetitivos e estereotipados, há mordedura da língua ou perda de urina, há confusão prolongada após o episódio, há ronco alto ou pausas respiratórias, há sonolência importante durante o dia, há uso de álcool, sedativos ou medicação recente, ou a família está muito assustada ou privada de sono. Na maioria das crianças, sonambulismo e terrores noturnos melhoram com a idade. Se houver perigo imediato, tentativa de sair para a rua, comportamento violento, lesão, queda grave, suspeita de crise epilética ou alteração prolongada da consciência, deve procurar ajuda médica urgente.

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Referências Científicas

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