Há pessoas que aparecem repetidamente em consultas, urgências ou internamentos com sintomas difíceis de explicar. Podem relatar histórias médicas complexas, apresentar exames contraditórios, procurar procedimentos invasivos ou mostrar uma familiaridade incomum com linguagem médica.
Em alguns casos, os sintomas são exagerados, falsificados ou até induzidos pela própria pessoa. Isto pode incluir manipular exames, tomar substâncias para provocar sintomas, ferir-se, contaminar feridas, alterar registos ou relatar episódios que não aconteceram como descrito.
A Perturbação Factícia, anteriormente conhecida como Síndrome de Munchausen quando imposta a si próprio, é uma perturbação complexa em que a pessoa falsifica ou provoca sintomas físicos ou psicológicos sem uma recompensa externa evidente.
Isto distingue a Perturbação Factícia da simulação. Na simulação, existe um objetivo externo claro, como obter dinheiro, escapar a uma obrigação, evitar consequências legais ou conseguir medicação. Na Perturbação Factícia, o comportamento está ligado sobretudo à necessidade psicológica de assumir o papel de doente, ser cuidado, ser reconhecido como alguém em sofrimento ou manter uma identidade organizada à volta da doença.
É importante ser claro: a falsificação ou indução de sintomas é deliberada. Mas isso não significa que a pessoa esteja simplesmente "a mentir por maldade". Muitas vezes, existe sofrimento emocional grave, história de abandono, trauma, doença precoce, carência afetiva, dificuldades de identidade ou padrões relacionais profundamente perturbados.
A Psicoterapia HBM pode ajudar apenas como parte de uma intervenção clínica especializada, quando existe alguma adesão terapêutica e segurança. Pode ajudar a compreender necessidades emocionais, medo de abandono, procura de cuidado, vergonha e história de sofrimento. No entanto, não deve ser apresentada como tratamento isolado nem como substituto de psiquiatria, coordenação médica e gestão de risco.
Quando a perturbação é imposta a outra pessoa — por exemplo, uma criança, idoso ou pessoa dependente — a prioridade absoluta é proteger a vítima.
O que é — Definição Clínica
De acordo com o DSM-5-TR, a Perturbação Factícia caracteriza-se pela falsificação de sinais ou sintomas físicos ou psicológicos, ou pela indução de lesão ou doença, associada a engano identificado. A pessoa apresenta-se a si própria como doente, incapacitada ou lesionada, mesmo na ausência de recompensas externas óbvias.
Perturbação Factícia imposta a si próprio
A pessoa falsifica, exagera ou provoca sintomas em si mesma e apresenta-se como doente.
Perturbação Factícia imposta a outro
A pessoa falsifica, exagera ou provoca sintomas noutra pessoa que está sob os seus cuidados, como uma criança, idoso ou dependente. A pessoa cuidadora apresenta a vítima como doente, lesionada ou incapacitada. Esta forma é particularmente grave, porque a vítima pode ser submetida a exames, medicamentos, cirurgias, internamentos ou sofrimento físico e psicológico desnecessário.
Diferença face à simulação
Na simulação, a pessoa finge ou exagera sintomas para obter um ganho externo claro, como dinheiro, baixa médica, evitar prisão, escapar ao trabalho ou conseguir medicação. Na Perturbação Factícia, esse ganho externo não é evidente. O comportamento está ligado a necessidades psicológicas internas, como assumir o papel de doente, receber cuidado ou manter uma identidade centrada na doença.
Diferença face à Hipocondria ou ansiedade de doença
Na Hipocondria, a pessoa teme estar doente e acredita que pode ter uma doença grave. Na Perturbação Factícia, existe falsificação ou indução deliberada de sintomas. A pessoa pode saber que está a provocar ou manipular sinais, embora possa não compreender plenamente a necessidade emocional que a leva a fazê-lo.
Sintomas e Sinais
A Perturbação Factícia pode ser difícil de identificar porque envolve engano e pode imitar doenças reais. Os sinais devem ser avaliados com prudência, sem acusações precipitadas.
| Categoria | Sinais possíveis | Impacto real |
|---|---|---|
| Médica | Histórias clínicas extensas, sintomas incoerentes, exames contraditórios | Consultas, exames e internamentos repetidos |
| Comportamental | Manipulação de sintomas, indução de doença, procura de procedimentos | Risco físico significativo |
| Relacional | Relação intensa com médicos, conflito quando questionada, mudança frequente de serviços | Dificuldade em manter continuidade terapêutica |
| Psicológica | Identidade centrada na doença, necessidade de cuidado, medo de abandono | Sofrimento emocional profundo |
| Imposta a outro | Sintomas numa criança/dependente que surgem ou pioram na presença do cuidador | Risco de abuso, dano físico e trauma |
Histórias médicas complexas
A pessoa pode apresentar uma história clínica muito extensa, com muitos diagnósticos, exames, cirurgias, internamentos ou sintomas raros. Pode ter conhecimento médico detalhado e usar termos técnicos com facilidade.
Sintomas inconsistentes
Os sintomas podem não seguir o padrão habitual de uma doença reconhecida. Podem surgir de forma atípica, melhorar quando há observação direta ou piorar antes de alta hospitalar. Estas inconsistências não devem levar automaticamente a acusação. Devem levar a avaliação cuidadosa.
Procura repetida de cuidados
A pessoa pode procurar vários hospitais ou médicos, especialmente quando começa a ser questionada. Pode abandonar tratamento quando a equipa se aproxima da hipótese diagnóstica.
Indução de sintomas
Em casos graves, a pessoa pode provocar sintomas através de substâncias, contaminação de feridas, manipulação de análises, automutilação ou interferência com tratamentos. Isto pode colocar a vida em risco.
Perturbação Factícia imposta a outro
Nesta forma, o cuidador pode relatar sintomas na criança ou dependente, insistir em exames, manipular amostras, administrar substâncias, impedir melhoria ou procurar múltiplas avaliações. A vítima pode sofrer procedimentos desnecessários, hospitalizações, dor, medo, perda de escola, isolamento e trauma.
Causas e Fatores de Risco
A Perturbação Factícia é pouco compreendida e a evidência sobre causas ainda é limitada. Não existe uma explicação única. O comportamento pode parecer incompreensível de fora, mas frequentemente está ligado a necessidades emocionais profundas e formas antigas de procurar cuidado, proteção ou identidade.
Necessidade de cuidado
Algumas pessoas aprenderam, ao longo da vida, que só recebem atenção, proteção ou presença quando estão doentes. A doença torna-se uma linguagem para pedir cuidado, mesmo que de forma perigosa e desadaptativa.
História de doença ou hospitalização
Experiências precoces de doença, internamento, cirurgias ou contacto intenso com ambientes médicos podem influenciar a forma como a pessoa associa doença a cuidado, importância ou identidade.
Trauma, abandono ou negligência
Histórias de abandono, abuso, negligência, rejeição ou relações familiares instáveis podem contribuir para uma necessidade intensa de ser visto, cuidado ou protegido. A pessoa pode não saber pedir ajuda emocional diretamente e recorre ao corpo ou à doença como forma de comunicação.
Identidade centrada na doença
Para algumas pessoas, o papel de doente oferece estrutura: há consultas, equipas, exames, atenção, regras, uma narrativa e uma identidade. Fora do contexto médico, pode existir vazio, solidão ou sensação de não ter lugar.
Perturbações da personalidade e comorbilidade
Podem coexistir perturbações da personalidade, depressão, ansiedade, trauma, consumo de substâncias, automutilação ou perturbações dissociativas. A avaliação deve ser abrangente e não se limitar ao comportamento de falsificação.
Vergonha e segredo
A pessoa pode sentir vergonha profunda e medo de ser descoberta. Isto pode levar a mais ocultação, abandono de tratamento e procura de novos serviços.
Perturbação Factícia imposta a outro — causas
Quando os sintomas são impostos a outra pessoa, podem existir necessidades psicológicas do cuidador, procura de atenção da equipa médica, necessidade de controlo ou identidade de cuidador dedicado. Mas nenhuma explicação emocional justifica colocar outra pessoa em risco. A proteção da vítima é sempre prioritária.
Como é Diagnosticada
O diagnóstico é difícil e deve ser feito por profissionais experientes, com abordagem multidisciplinar. A avaliação pode envolver médicos, psiquiatras, psicólogos, enfermagem, serviço social, proteção de menores ou autoridades quando necessário.
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História clínica detalhada: sintomas, internamentos, exames, cirurgias, mudanças de hospital, tratamentos anteriores e incoerências.
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Documentação médica: comparação de relatórios, resultados de exames, cronologia dos sintomas e resposta a tratamentos.
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Observação clínica: padrões de agravamento, melhoria, sintomas que surgem em contextos específicos ou discrepâncias entre relato e dados objetivos.
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Avaliação psiquiátrica: sofrimento emocional, risco de autoagressão, ideação suicida, perturbações da personalidade, trauma, depressão, ansiedade, dissociação ou consumo de substâncias.
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Diagnóstico diferencial: distinguir de doenças médicas raras, Perturbação de Sintomas Somáticos, Hipocondria, Perturbação de Conversão, simulação, perturbações psicóticas, automutilação e outras condições.
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Na forma imposta a outro: avaliação urgente da segurança da vítima, revisão de registos, observação das interações cuidador-vítima, articulação com pediatria, serviço social, proteção de menores e autoridades.
Cuidado com confrontação direta
A confrontação agressiva pode levar a pessoa a abandonar o tratamento e procurar outro serviço. Quando não há vítima em risco imediato, a abordagem mais útil costuma ser firme, empática, documentada e centrada na segurança: reduzir procedimentos desnecessários, oferecer ajuda psicológica e manter continuidade clínica. Quando há vítima, a proteção da pessoa vulnerável vem antes da preservação da relação terapêutica com o cuidador.
Tratamentos Disponíveis
Não existe um tratamento simples ou universalmente eficaz para a Perturbação Factícia. A evidência é limitada, e muitos casos são complexos, com baixa adesão terapêutica. O tratamento deve focar segurança, redução de dano, continuidade clínica e compreensão das necessidades emocionais por trás do comportamento.
Coordenação médica
É importante que exista uma equipa ou médico de referência para reduzir exames, procedimentos e internamentos desnecessários. Isto não significa abandonar a pessoa. Significa evitar que o sistema de saúde reforce inadvertidamente o ciclo de doença.
Psiquiatria
A psiquiatria pode ajudar na avaliação diagnóstica, gestão de risco e tratamento de comorbilidades, como depressão, ansiedade, trauma, impulsividade, perturbações da personalidade, consumo de substâncias ou risco suicida. Pode também ajudar a definir um plano de cuidados com a equipa médica.
Psicoterapia especializada
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Necessidade de cuidado
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Medo de abandono
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Vergonha
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Identidade centrada na doença
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Trauma
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Formas indiretas de pedir ajuda
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Relações com profissionais de saúde
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Alternativas menos perigosas para expressar sofrimento
O progresso costuma ser lento e exige uma relação terapêutica estável.
Psicoterapia HBM como parte de uma intervenção especializada
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Que necessidades emocionais estão por trás do papel de doente
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Que experiências de abandono, negligência ou trauma marcaram a pessoa
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Como a doença se tornou forma de receber cuidado
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Que medos surgem quando a pessoa não está doente
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Que vazio ou identidade está associado ao contexto médico
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Que vergonha e segredo mantêm o ciclo
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Como encontrar formas mais seguras de pedir ajuda
A HBM não deve ser apresentada como tratamento isolado. Também não substitui psiquiatria, coordenação médica, gestão de risco ou proteção de vítimas quando há Perturbação Factícia imposta a outro.
Abordagem não confrontacional
Quando clinicamente seguro, a equipa deve evitar humilhação ou acusação direta. Uma abordagem possível é dizer: "Percebemos que está em sofrimento e queremos ajudá-lo de uma forma que reduza riscos e procedimentos desnecessários." O objetivo é manter contacto terapêutico sem reforçar o comportamento de doença.
Redução de dano
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Evitar exames repetidos sem indicação
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Rever medicação
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Prevenir automutilação ou indução de sintomas
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Monitorizar riscos
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Coordenar informação entre serviços
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Limitar procedimentos invasivos desnecessários
Perturbação Factícia imposta a outro — tratamento
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Avaliação médica independente da vítima
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Afastamento temporário do cuidador quando necessário
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Comunicação com proteção de menores ou autoridades
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Revisão de todos os registos médicos
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Suspensão de procedimentos não essenciais
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Acompanhamento psicológico da vítima
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Avaliação psiquiátrica do cuidador
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Intervenção legal quando aplicável
A segurança da vítima é sempre prioridade.
A Clínica da Mente pode ajudar?
A Clínica da Mente pode ajudar apenas em contextos cuidadosamente avaliados e quando existe segurança clínica. Na Perturbação Factícia imposta a si próprio, a Psicoterapia HBM pode ser útil como parte de uma intervenção especializada, ajudando a compreender as necessidades emocionais que levam a pessoa a procurar o papel de doente.
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Quando começou a relação intensa com a doença
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Que experiências de abandono, negligência ou trauma existiram
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Que cuidado a pessoa procura através da doença
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Que medo surge quando não está a ser cuidada
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Que identidade foi construída em torno do sofrimento físico ou psicológico
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Que vergonha e segredo mantêm o ciclo
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Como desenvolver formas mais seguras de pedir ajuda
No entanto, a HBM não deve substituir psiquiatria, coordenação médica, gestão de risco ou psicoterapia especializada quando necessária. Na Perturbação Factícia imposta a outro, a prioridade não é o tratamento psicoterapêutico do cuidador. A prioridade é proteger a vítima e acionar os mecanismos clínicos, sociais e legais adequados.
Como Lidar com Esta Perturbação
Esta secção é dirigida sobretudo a familiares e profissionais de saúde, porque muitas pessoas com Perturbação Factícia não reconhecem inicialmente o problema.
Validar sofrimento sem reforçar doença
É possível reconhecer que a pessoa sofre sem aceitar automaticamente todos os relatos como indicação para novos procedimentos.
Evitar acusações impulsivas
Dizer "está a mentir" pode levar ao abandono dos cuidados e a maior risco. A abordagem deve ser clínica, documentada e orientada para segurança.
Centralizar cuidados
Sempre que possível, deve existir uma equipa ou médico de referência. Isto reduz duplicação de exames e melhora a compreensão do caso.
Documentar cuidadosamente
Registos claros, cronologia de sintomas, resultados e decisões clínicas são essenciais.
Definir limites
A equipa deve evitar procedimentos desnecessários e estabelecer limites consistentes, sem humilhar a pessoa.
Proteger vítimas vulneráveis
Se houver suspeita de Perturbação Factícia imposta a outro, especialmente numa criança, idoso ou pessoa dependente, a situação deve ser tratada como potencial abuso. A proteção da vítima não deve esperar por certeza absoluta.
Mitos e Verdades
| Mito | Verdade |
|---|---|
| "É o mesmo que simulação." | Não. Na simulação há ganho externo claro; na Perturbação Factícia o comportamento está ligado a necessidades psicológicas internas. |
| "A pessoa está apenas a mentir por maldade." | Há engano deliberado, mas geralmente associado a sofrimento emocional complexo. |
| "Se os sintomas são fabricados, não há risco." | Há risco real de infeções, lesões, cirurgias desnecessárias e até morte. |
| "Basta confrontar a pessoa." | Confrontação agressiva pode levar ao abandono do tratamento. |
| "É sempre fácil identificar." | É uma perturbação difícil de diagnosticar e exige avaliação cuidadosa. |
| "A Psicoterapia HBM resolve sozinha." | A HBM pode ajudar apenas como parte de uma intervenção clínica especializada. |
| "Quando é imposta a outro, é apenas uma questão familiar." | É uma forma de abuso e pode exigir proteção legal imediata. |
| "Não há nada a fazer." | O tratamento é difícil, mas coordenação clínica, redução de dano, psiquiatria e psicoterapia podem ajudar. |
Quando Procurar Ajuda
Deve procurar ajuda especializada se existe um padrão de sintomas fabricados, induzidos ou exagerados, internamentos repetidos, procedimentos médicos desnecessários ou relação intensa com o papel de doente.
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Há manipulação de exames ou sintomas
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Existe automutilação para produzir doença
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Há múltiplos internamentos sem explicação clara
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A pessoa muda frequentemente de hospital ou médico
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Existe sofrimento emocional intenso ligado ao papel de doente
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Há depressão, ansiedade, trauma, consumo de substâncias ou risco suicida
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Profissionais ou familiares suspeitam de falsificação de sintomas
Se houver suspeita de Perturbação Factícia imposta a outro, especialmente envolvendo criança, idoso ou pessoa dependente, deve procurar ajuda imediata junto de serviços de saúde, proteção de menores, autoridades competentes ou emergência, conforme o risco.
A Perturbação Factícia pode ser perigosa e exige acompanhamento especializado. A Psicoterapia HBM pode ajudar como parte de uma intervenção clínica, mas a segurança, a coordenação médica e a gestão de risco são sempre prioritárias.
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Referências Científicas
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