Uma pessoa bebe vários cafés num dia de maior stress e, pouco depois, sente o coração acelerado, tremores, aperto no peito e medo de perder o controlo. Outra pessoa consome cannabis e, em vez de relaxar, sente pânico, paranoia, sensação de irrealidade e medo intenso. Outra está a reduzir álcool, benzodiazepinas ou outra substância e começa a sentir ansiedade intensa, insónia, irritabilidade e ataques de pânico.
Quando os sintomas de ansiedade ou pânico aparecem durante ou pouco depois do consumo, da abstinência ou da exposição a uma substância ou medicamento, pode tratar-se de uma Perturbação de Ansiedade Induzida por Substâncias ou Medicamentos.
Isto não significa que a pessoa "inventou" os sintomas. A sensação é real e pode ser muito assustadora. O coração acelera, o corpo treme, a respiração muda e a mente interpreta esses sinais como ameaça. O problema pode agravar-se quando, depois do primeiro episódio, a pessoa passa a ter medo de voltar a sentir o mesmo.
Muitas vezes, instala-se um ciclo: a pessoa consome algo para aliviar ansiedade, tristeza, insónia, vazio ou stress; depois sente sintomas fortes; interpreta-os como perigo; fica com medo de repetir a experiência; começa a evitar situações ou, pelo contrário, volta a consumir para tentar acalmar-se.
A Psicoterapia HBM é altamente recomendada quando existe sofrimento emocional, medo de repetição, automedicação emocional ou consumo associado a ansiedade, tristeza, culpa, trauma, vazio ou insegurança. O objectivo é compreender como o ciclo se formou e tratar as causas emocionais que podem estar a alimentar o consumo, a abstinência, o medo e a ansiedade.
Resposta Rápida
A Perturbação de Ansiedade Induzida por Substâncias ou Medicamentos caracteriza-se por ansiedade ou ataques de pânico que surgem durante ou após o consumo, abstinência ou exposição a uma substância ou medicamento. A sensação é real e pode criar um ciclo de medo de repetição, hipervigilância e evitamento. É uma condição tratável com psicoterapia especializada.
O que é — Definição Clínica
De acordo com o DSM-5-TR, a Perturbação de Ansiedade Induzida por Substâncias ou Medicamentos caracteriza-se por ansiedade ou ataques de pânico proeminentes que se desenvolvem durante ou pouco depois da intoxicação, abstinência ou exposição a uma substância ou medicamento capaz de produzir esses sintomas.
O ponto central é a relação temporal. O profissional deve perceber:
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quando começaram os sintomas;
- ✦
que substância foi consumida;
- ✦
que medicamento foi iniciado, alterado ou interrompido;
- ✦
se os sintomas surgiram durante consumo, intoxicação, redução, abstinência ou exposição;
- ✦
se os sintomas persistem para além do esperado;
- ✦
se já existia ansiedade antes do consumo ou medicamento.
Esta perturbação pode envolver sintomas semelhantes aos de um ataque de pânico, Perturbação de Pânico, ansiedade generalizada ou ansiedade intensa, mas a origem imediata está ligada à substância, abstinência ou medicamento.
Exemplos de substâncias associadas a sintomas de ansiedade incluem cafeína, estimulantes, cannabis, cocaína, anfetaminas, álcool, sedativos em abstinência e algumas medicações ou alterações de dose. O mais importante não é criar medo de qualquer substância, mas compreender se existe uma relação clara entre exposição e sintomas.
Sintomas e Sinais
Os sintomas podem aparecer de forma súbita ou gradual. Em alguns casos parecem um ataque de pânico. Noutros, parecem uma ansiedade persistente, com inquietação, insónia e sensação de alerta.
Categorias de sintomas
| Categoria | Sintomas comuns | Impacto real no quotidiano |
|---|---|---|
| Físicos | Coração acelerado, tremores, suor, falta de ar, tonturas, náuseas, tensão | A pessoa sente que algo grave pode estar a acontecer |
| Cognitivos | "Vou morrer", "vou enlouquecer", "isto não vai passar", "perdi o controlo" | As sensações são interpretadas como perigo |
| Emocionais | Medo, pânico, insegurança, irritabilidade, angústia, sensação de vulnerabilidade | A pessoa sente-se assustada e incapaz de confiar no corpo |
| Comportamentais | Evitar substâncias, lugares, festas, cafés, medicamentos, sair sozinho ou dormir | A vida pode começar a ser organizada à volta do medo |
| Relacionais | Pedir garantias, procurar alguém para acompanhar, esconder consumo ou sintomas | A ansiedade pode gerar vergonha, segredo e isolamento |
Ataques de pânico após consumo ou abstinência
Algumas pessoas têm o primeiro ataque de pânico depois de consumir uma substância ou durante uma fase de abstinência. Esse episódio pode tornar-se muito marcante.
Depois, mesmo que a substância já não esteja presente, a pessoa pode continuar com medo de voltar a sentir o mesmo.
Ansiedade antecipatória
A pessoa pode começar a pensar:
- ✦
"e se me dá outra vez?";
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"e se eu tomo isto e passo mal?";
- ✦
"e se bebo café e entro em pânico?";
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"e se fico sem aquilo que me acalma?";
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"e se não consigo dormir?";
- ✦
"e se o meu corpo reage mal?"
A ansiedade deixa de estar apenas ligada à substância e passa a estar ligada ao medo da repetição.
Vergonha e segredo
Quando existe consumo de álcool, cannabis, estimulantes ou outros comportamentos de automedicação emocional, a pessoa pode sentir vergonha e esconder o problema.
O silêncio pode agravar a ansiedade e dificultar o pedido de ajuda.
Causas e Fatores de Risco
Esta perturbação surge quando os sintomas de ansiedade ou pânico aparecem em relação temporal com uma substância, abstinência ou medicamento. Mas, depois do primeiro episódio, pode formar-se um ciclo emocional que mantém o problema.
Relação com consumo, abstinência ou exposição
A ansiedade pode surgir depois de consumo, durante intoxicação, após aumento de dose, durante redução ou abstinência.
O importante é perceber a sequência:
- ✦
houve consumo, abstinência ou exposição;
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surgiram sintomas físicos e emocionais intensos;
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a pessoa interpretou esses sintomas como perigosos;
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o episódio ficou registado como experiência assustadora;
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surgiu medo de repetição.
Primeiro episódio marcante
Tal como na Perturbação de Pânico, muitas pessoas lembram-se claramente do primeiro episódio: o que tinham consumido, onde estavam, que sentiram, que pensaram e o medo que surgiu.
Esse episódio pode tornar-se uma referência interna: "foi ali que tudo começou".
Depois, certos locais, substâncias, sensações ou contextos podem ficar associados ao medo.
Interpretação de perigo
Durante o episódio, a pessoa pode sentir coração acelerado, tremores, tonturas, calor, aperto no peito ou sensação de irrealidade. Estes sinais podem ser interpretados como ameaça:
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"vou morrer";
- ✦
"vou perder o controlo";
- ✦
"isto estragou-me a cabeça";
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"nunca mais vou voltar ao normal";
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"vou enlouquecer";
- ✦
"o meu corpo não aguenta".
A sensação é real, mas a interpretação de perigo pode estar condicionada pelo medo.
Hipervigilância corporal
Depois de uma experiência assustadora, a pessoa pode começar a vigiar o corpo.
Qualquer batimento cardíaco, tontura, alteração de sono, sensação de calor, falta de ar ou inquietação pode ser interpretada como sinal de que o episódio vai voltar.
Quanto mais a pessoa observa o corpo, mais sinais encontra. E quanto mais sinais encontra, mais ansiedade sente.
Medo de repetição
O medo de voltar a sentir o mesmo pode tornar-se central. A pessoa pode deixar de consumir algo, evitar certos lugares, recusar eventos sociais ou ficar dependente de condições de segurança.
Em alguns casos, evita tudo o que associa ao episódio. Noutros, continua a usar substâncias para tentar controlar a ansiedade que a própria experiência gerou.
Automedicação emocional
Muitas pessoas usam substâncias não por prazer, mas para tentar aliviar emoções difíceis: ansiedade, tristeza, solidão, vazio, insónia, culpa, vergonha, trauma, irritabilidade ou stress.
O problema é que a substância pode dar alívio momentâneo, mas manter o ciclo a longo prazo:
- ✦
sinto ansiedade;
- ✦
consumo para aliviar;
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tenho sintomas fortes ou medo;
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fico mais assustado;
- ✦
volto a procurar alívio;
- ✦
o ciclo repete-se.
A psicoterapia ajuda a compreender que emoção está a ser anestesiada, evitada ou silenciada.
Abstinência emocional
Quando a pessoa tenta reduzir ou parar uma substância que usava para lidar com sofrimento, pode sentir que ficou sem proteção.
Pode surgir ansiedade não apenas pela ausência da substância, mas porque emoções antigas reaparecem: tristeza, culpa, raiva, medo, vazio, memórias difíceis ou solidão.
Por isso, o tratamento psicológico deve trabalhar também aquilo que estava por trás do consumo.
Estímulos agressores e protetores
Com o tempo, a pessoa pode identificar estímulos agressores, como café, festas, álcool, cannabis, medicamentos, noites mal dormidas, locais onde teve crises ou sensações físicas parecidas com as do episódio.
Também pode criar estímulos protetores, como estar acompanhado, levar água, evitar certos lugares, ter sempre algo para "acalmar", não sair à noite ou controlar rigidamente o corpo.
Estes recursos podem dar alívio no início, mas também podem manter a dependência e o medo.
O ciclo da perturbação
| Etapa do ciclo | Como se manifesta |
|---|---|
| Exposição ou abstinência | A pessoa consome, reduz, para ou é exposta a uma substância/medicamento. |
| Sintomas intensos | Surgem ansiedade, pânico, tremores, falta de ar, tonturas ou sensação de descontrolo. |
| Interpretação de perigo | A pessoa pensa que vai morrer, enlouquecer ou perder o controlo. |
| Medo de repetição | Passa a antecipar novo episódio. |
| Hipervigilância corporal | Observa constantemente sinais do corpo. |
| Evitamento ou automedicação | Evita contextos ou usa algo para tentar controlar a ansiedade. |
| Manutenção do ciclo | O alívio imediato reforça o medo e a dependência de estratégias de segurança. |
Como é Diagnosticada
O diagnóstico deve ser feito por um profissional qualificado, como psicólogo clínico, psicoterapeuta ou profissional de saúde mental com experiência em ansiedade e consumo de substâncias.
A avaliação deve compreender a cronologia dos sintomas. A avaliação pode incluir:
- ✦
Linha temporal: quando começou a ansiedade, quando ocorreu consumo, abstinência ou alteração de medicamento, e quanto tempo duraram os sintomas.
- ✦
Substâncias envolvidas: cafeína, álcool, cannabis, estimulantes, sedativos, medicamentos, suplementos ou outras substâncias.
- ✦
Contexto emocional: o que estava a acontecer na vida da pessoa quando começou o consumo ou quando surgiu o primeiro episódio.
- ✦
Primeiro episódio marcante: local, sintomas, pensamentos, medo sentido e consequências.
- ✦
Padrão de consumo: se a substância é usada para prazer, hábito, sono, ansiedade, tristeza, vazio, solidão, dor emocional ou para evitar pensamentos.
- ✦
Evitamento: situações, substâncias, lugares ou sensações que a pessoa passou a evitar.
- ✦
Automedicação emocional: formas como a pessoa tenta aliviar sofrimento sem tratar a causa emocional.
- ✦
Medo de repetição: se a pessoa ficou presa à pergunta "e se acontece outra vez?"
- ✦
Diagnóstico diferencial: é importante distinguir esta perturbação de Perturbação de Pânico, Ansiedade Generalizada, Fobia Específica, Agorafobia, ansiedade social ou ansiedade que já existia antes da substância.
O diagnóstico não deve limitar-se a identificar a substância. Deve compreender como a experiência ansiosa se organizou na vida da pessoa.
Tratamentos Disponíveis
A Perturbação de Ansiedade Induzida por Substâncias ou Medicamentos pode ser tratada. O tratamento deve ajudar a pessoa a compreender o ciclo entre substância, sintomas, interpretação de perigo, medo de repetição, evitamento e automedicação emocional.
Psicoterapia HBM
A Psicoterapia HBM é altamente recomendada quando existe ansiedade ou pânico associado a substâncias, abstinência, automedicação emocional ou medo de repetição.
A intervenção procura mapear:
- ✦
o primeiro episódio marcante;
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a substância ou contexto associado;
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os sintomas que assustaram a pessoa;
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as interpretações de perigo;
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os estímulos agressores;
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os estímulos protetores;
- ✦
o ciclo de evitamento;
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a função emocional do consumo;
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as emoções que a pessoa tenta calar ou controlar;
- ✦
o medo de voltar a sentir o mesmo;
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a relação entre ansiedade, culpa, tristeza, vazio, trauma ou solidão.
O objetivo não é apenas dizer "deixe de consumir" ou "não tenha medo". O objetivo é compreender que papel a substância ocupa na vida emocional da pessoa e que medo ficou associado à experiência.
Quando a pessoa percebe o ciclo, pode começar a tratar a origem emocional da ansiedade e a recuperar segurança interna.
Terapia Cognitivo-Comportamental
A Terapia Cognitivo-Comportamental pode ajudar a identificar interpretações catastróficas, como "vou morrer", "vou enlouquecer", "o meu corpo ficou estragado" ou "não vou aguentar".
Também ajuda a compreender como o evitamento mantém o medo e como a pessoa pode responder de forma mais segura às sensações internas.
Prevenção de recaída
Quando existe consumo problemático, a prevenção de recaída ajuda a identificar gatilhos, momentos de maior risco, emoções que levam ao consumo e estratégias alternativas.
O objetivo é criar um plano para lidar com stress, tristeza, ansiedade, solidão ou insónia sem depender da substância.
Intervenção motivacional
A intervenção motivacional pode ser útil quando a pessoa está dividida entre querer mudar e sentir medo de largar aquilo que usa para se acalmar.
Em vez de julgar, esta abordagem ajuda a pessoa a compreender o que ganha e o que perde com o consumo, e a construir motivação interna para mudar.
Psicoeducação
A psicoeducação ajuda a pessoa a compreender o ciclo: substância ou abstinência → sintomas intensos → interpretação de perigo → medo de repetição → hipervigilância → evitamento ou automedicação.
Quando a pessoa percebe este ciclo, os sintomas deixam de parecer completamente imprevisíveis.
Terapia focada no trauma
Quando o consumo ou a ansiedade estão ligados a experiências traumáticas, abuso, perdas, violência, humilhação, abandono ou memórias difíceis, pode ser útil uma abordagem focada no trauma emocional.
O objetivo é trabalhar aquilo que a substância tentava silenciar.
A Clínica da Mente pode ajudar?
Sim. A Clínica da Mente pode ajudar pessoas com ansiedade ou ataques de pânico associados a substâncias, abstinência, automedicação emocional ou medo de repetição através da Psicoterapia HBM, que é altamente recomendada para este tipo de sofrimento.
A intervenção ajuda a compreender como o ciclo se organizou: que substância ou contexto esteve associado ao primeiro episódio, que sintomas assustaram a pessoa, que interpretações de perigo surgiram, que situações passaram a ser evitadas e que estratégias de proteção mantêm a ansiedade.
A Clínica da Mente pode ajudar a pessoa a mapear:
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quando começou a ansiedade;
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que episódio marcou o início do medo;
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que substâncias ou situações ficaram associadas ao pânico;
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que emoções levam ao consumo ou ao evitamento;
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que medos ficaram ligados ao corpo;
- ✦
que estímulos são sentidos como agressores;
- ✦
que estímulos protetores mantêm dependência;
- ✦
que tristeza, culpa, trauma, vazio ou solidão podem estar por trás da automedicação emocional;
- ✦
como recuperar segurança interna sem depender do evitamento ou do consumo.
O objetivo é tratar a causa emocional da ansiedade e ajudar a pessoa a deixar de viver presa ao medo de repetir a experiência.
Como Viver com Esta Perturbação
Viver com ansiedade induzida por substâncias ou medicamentos pode ser confuso. A pessoa pode pensar: "isto foi só por causa da substância" ou, pelo contrário, "nunca mais vou voltar ao normal".
Muitas vezes, a verdade clínica está no ciclo que se criou depois do episódio. A substância pode ter sido o gatilho, mas o medo de repetição, a hipervigilância e o evitamento podem manter o problema.
Reconhecer a cronologia
É útil escrever:
- ✦
o que consumiu ou alterou;
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quando surgiram os sintomas;
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o que sentiu;
- ✦
o que pensou;
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que medo ficou;
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o que passou a evitar.
A cronologia ajuda a perceber o padrão.
Perceber a função emocional do consumo
Pergunte-se:
- ✦
Uso isto para quê?
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Para relaxar?
- ✦
Para dormir?
- ✦
Para esquecer?
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Para não sentir tristeza?
- ✦
Para perder vergonha?
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Para lidar com solidão?
- ✦
Para aguentar stress?
A resposta pode mostrar a emoção que precisa de ser tratada.
Evitar transformar o medo numa prisão
Depois de um episódio assustador, é natural querer evitar tudo. Mas evitar demasiadas situações pode fazer a vida encolher.
O objetivo terapêutico é recuperar segurança, não criar uma vida construída apenas para evitar sintomas.
Reduzir a vergonha
Sentir ansiedade após consumo, abstinência ou automedicação emocional não significa fraqueza. Significa que existe um ciclo a compreender.
A vergonha dificulta a mudança. A compreensão ajuda.
Procurar ajuda psicoterapêutica
Quando existe consumo associado a ansiedade, pânico, culpa, tristeza, vazio ou trauma, a psicoterapia pode ajudar a tratar a causa emocional que mantém o ciclo.
Mitos e Verdades
| Mito | Verdade |
|---|---|
| "Foi só uma reação, não é importante." | Um episódio assustador pode criar medo de repetição e evitamento. |
| "A pessoa está a exagerar." | Os sintomas são reais e podem ser vividos como muito ameaçadores. |
| "Basta nunca mais tocar na substância." | Evitar a substância pode ser importante, mas pode não resolver o medo que ficou instalado. |
| "Se uso algo para me acalmar, está resolvido." | A automedicação emocional pode aliviar no momento, mas manter o ciclo a longo prazo. |
| "Isto significa que fiquei estragado." | A sensação pode ser assustadora, mas o ciclo pode ser compreendido e tratado. |
| "A ansiedade não tem nada a ver com emoções." | Muitas vezes há tristeza, culpa, vazio, trauma, stress ou insegurança por trás do consumo ou do medo. |
| "A psicoterapia é só conversar." | A psicoterapia ajuda a mapear o ciclo, compreender a função emocional do consumo e reduzir o medo de repetição. |
Quando Procurar Ajuda
Deve procurar ajuda se começou a sentir ansiedade ou ataques de pânico após consumo, abstinência, alteração de medicação ou exposição a uma substância, e ficou com medo de voltar a sentir o mesmo.
Também deve procurar apoio se:
- ✦
usa substâncias para lidar com ansiedade, tristeza, insónia, solidão ou vazio;
- ✦
teve um episódio assustador e passou a viver em alerta;
- ✦
evita cafés, festas, locais, pessoas ou situações por medo de repetir sintomas;
- ✦
sente vergonha do consumo ou da ansiedade;
- ✦
sente que precisa de algo para conseguir acalmar;
- ✦
tem medo das sensações do corpo;
- ✦
ficou preso à ideia de que "algo ficou errado" depois do episódio;
- ✦
percebe que existe sofrimento emocional por trás do consumo ou do evitamento.
A perturbação pode ser tratada. Com Psicoterapia HBM, é possível compreender como o ciclo se formou, que emoções estão por trás do consumo ou do medo, que estímulos mantêm a ansiedade e como recuperar segurança interna.
Não interrompa medicação prescrita por conta própria. Se suspeita que um medicamento está relacionado com sintomas de ansiedade, fale com o profissional que o acompanha para avaliar a situação com segurança.
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Autores / Revisores dos conteúdos da Clínica da Mente
Referências Científicas
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