Imagine perceber que falta uma parte importante da sua própria história.
Não se trata de esquecer onde deixou as chaves, o nome de alguém ou uma tarefa do dia. Trata-se de não conseguir recordar acontecimentos pessoais importantes, períodos inteiros da vida, momentos traumáticos, conversas, deslocações ou, em casos raros, até aspetos da própria identidade.
A pessoa pode sentir que existe um 'buraco' na memória. Pode ouvir familiares falarem de acontecimentos que não reconhece. Pode encontrar objetos, fotografias, mensagens ou relatos que pertencem à sua vida, mas que parecem não ter continuidade interna.
A Amnésia Dissociativa é uma perturbação em que a pessoa não consegue recordar informação autobiográfica importante, geralmente ligada a experiências traumáticas ou stressantes, e essa falha de memória é demasiado extensa para ser explicada por esquecimento normal.
Esta amnésia não deve ser confundida com preguiça, distração, mentira ou falta de atenção. Também não deve ser confundida automaticamente com demência, lesão cerebral ou intoxicação. Por isso, exige avaliação cuidadosa.
A Psicoterapia HBM pode ajudar quando integrada num plano clínico mais amplo, sobretudo para compreender emoções, traumas, culpa, vergonha, medo ou conflitos internos associados às memórias inacessíveis. No entanto, neste quadro, a HBM não deve ser apresentada como tratamento essencial. A intervenção principal deve envolver avaliação especializada, eventual apoio psiquiátrico, exclusão de causas médicas e psicoterapia focada em trauma e dissociação.
O objetivo do tratamento não é forçar memórias a regressar. É criar segurança suficiente para que a pessoa possa reconstruir continuidade, compreender o sofrimento e recuperar uma relação mais estável com a sua história.
O que é — Definição Clínica
De acordo com o DSM-5-TR, a Amnésia Dissociativa caracteriza-se pela incapacidade de recordar informação autobiográfica importante, geralmente de natureza traumática ou stressante, que não é compatível com esquecimento normal.
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acontecimentos traumáticos
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períodos específicos da vida
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informação pessoal importante
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experiências emocionalmente intoleráveis
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partes da infância ou adolescência
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situações de abuso, violência, perda ou ameaça
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conflitos internos muito intensos
A pessoa pode saber quem é e funcionar no quotidiano, mas não conseguir aceder a determinadas memórias. Noutros casos, a amnésia pode ser mais ampla e causar grande desorganização.
A amnésia dissociativa pertence ao grupo das Perturbações Dissociativas, juntamente com a Perturbação Dissociativa da Identidade e a Perturbação de Despersonalização/Desrealização.
Diferença face à amnésia neurológica
Na amnésia neurológica, a perda de memória pode resultar de traumatismo craniano, epilepsia, demência, AVC, tumores, intoxicação, substâncias ou outras condições médicas. Na amnésia dissociativa, a perda de memória está geralmente ligada a trauma ou stress extremo, mas o diagnóstico só deve ser feito depois de excluir causas médicas, neurológicas ou associadas a substâncias. Por isso, a avaliação clínica pode exigir exame médico, avaliação psiquiátrica, exames neurológicos e, quando indicado, ressonância magnética, eletroencefalograma ou análises toxicológicas.
Fuga dissociativa
A fuga dissociativa é uma forma rara e mais extrema. A pessoa pode afastar-se subitamente de casa, do trabalho ou do local habitual, sem recordar a sua identidade ou partes importantes da sua vida. Em alguns casos, pode assumir uma nova identidade ou iniciar atividades sem consciência clara da sua história anterior. Este quadro exige avaliação urgente e especializada, porque pode envolver risco, desorientação, vulnerabilidade e necessidade de proteção.
Sintomas e Sinais
A Amnésia Dissociativa pode manifestar-se de várias formas. O sintoma central é a incapacidade de recordar informação pessoal importante que deveria estar acessível.
| Tipo ou área | Como se manifesta | Impacto real no quotidiano |
|---|---|---|
| Amnésia localizada | Perda de memória de um período específico | A pessoa não recorda dias, semanas, meses ou acontecimentos concretos |
| Amnésia seletiva | Recorda algumas partes, mas não outras | O acontecimento parece incompleto ou fragmentado |
| Amnésia generalizada | Perda ampla de memória autobiográfica | Pode não recordar identidade, história de vida ou relações |
| Amnésia sistematizada | Memórias associadas a alguém ou a um contexto ficam inacessíveis | Esquecimento ligado a uma pessoa, local ou tema |
| Fuga dissociativa | Afastamento inesperado com perda de memória | A pessoa pode viajar ou vaguear sem compreender como chegou ali |
Amnésia localizada
É uma das formas mais frequentes. A pessoa não consegue recordar um período específico, muitas vezes associado a trauma, abuso, violência, acidente, guerra, perda ou experiência emocionalmente intolerável. Pode lembrar-se do antes e do depois, mas não do intervalo central.
Amnésia seletiva
A pessoa recorda algumas partes do acontecimento, mas outras estão bloqueadas. Por exemplo, pode lembrar-se de estar num local, mas não do momento da agressão. Pode lembrar-se de uma voz, mas não do rosto. Pode recordar uma sensação, mas não a sequência dos factos.
Amnésia generalizada
É mais rara e mais grave. A pessoa pode perder memória de grande parte da sua vida, incluindo identidade, relações, história pessoal ou acontecimentos fundamentais. Nestes casos, a avaliação médica e psiquiátrica é essencial.
Amnésia sistematizada
A pessoa pode esquecer informação relacionada com uma pessoa, uma família, um local, uma fase da vida ou um tema emocionalmente carregado. Por exemplo, pode não recordar memórias associadas a um cuidador abusivo, a uma casa, a uma relação ou a um contexto traumático.
Sintomas associados
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ansiedade
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tristeza
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confusão
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sensação de vazio
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despersonalização
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desrealização
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flashbacks
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pesadelos
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vergonha
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culpa
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irritabilidade
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isolamento
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medo de enlouquecer
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sintomas de PSPT
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pensamentos de morte ou autoagressão, especialmente quando memórias traumáticas começam a surgir
A pessoa pode não perceber imediatamente que tem amnésia. Por vezes, são familiares ou pessoas próximas que notam lacunas, contradições ou períodos sem memória.
Causas e Fatores de Risco
A Amnésia Dissociativa surge frequentemente associada a experiências traumáticas, stress extremo ou conflitos emocionais intoleráveis. A memória não desaparece simplesmente por acaso. Em muitos casos, parece haver uma separação entre a experiência vivida e o acesso consciente a essa experiência. A dissociação pode funcionar como uma forma de proteção quando a realidade é demasiado dolorosa para ser integrada naquele momento.
Trauma psicológico
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abuso físico
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abuso sexual
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abuso emocional
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negligência grave
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violência doméstica
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acidentes graves
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guerra
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catástrofes
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agressões
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testemunho de morte ou violência
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perda traumática
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experiências de humilhação extrema
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situações em que a pessoa se sentiu sem saída
O ponto central não é apenas o que aconteceu, mas a forma como a pessoa viveu emocionalmente esse acontecimento: medo, vergonha, desamparo, horror, culpa ou impossibilidade de reagir.
Trauma na infância
Quando o trauma acontece na infância, a criança pode não ter recursos emocionais para compreender, nomear ou integrar a experiência. Esquecer, desligar ou separar partes da memória pode ser uma forma de continuar a viver num contexto onde não há segurança suficiente para sentir tudo.
Vergonha e segredo
Algumas memórias ficam inacessíveis porque estão ligadas a vergonha intensa, culpa, humilhação ou medo de julgamento. Quando a pessoa aprendeu que não podia falar, pedir ajuda ou lembrar, a memória pode ficar isolada do resto da consciência.
Conflitos internos intoleráveis
Nem sempre a amnésia está ligada a um trauma externo evidente. Pode estar associada a conflitos internos muito intensos, como culpa extrema, escolhas impossíveis, medo de destruir relações ou experiências incompatíveis com a imagem que a pessoa tem de si.
Falta de apoio após o acontecimento
Quando, depois de uma experiência difícil, a pessoa não é acreditada, protegida ou acolhida, o sofrimento pode ficar mais isolado. A ausência de apoio pode reforçar o bloqueio emocional e a dificuldade em integrar a memória.
Dissociação como defesa
A dissociação não é fingimento. É uma forma de proteção psicológica. No entanto, aquilo que protegeu a pessoa num momento pode tornar-se um problema mais tarde, quando a perda de memória interfere com identidade, relações, decisões, segurança e qualidade de vida.
Relação com outras perturbações
A amnésia dissociativa pode coexistir com Perturbação de Stress Pós-Traumático, Perturbação de Stress Pós-Traumático Complexo, depressão, ansiedade, perturbações dissociativas, consumo de substâncias ou comportamentos autolesivos. Por isso, a avaliação deve ser abrangente.
Como é Diagnosticada
O diagnóstico deve ser feito por profissionais qualificados, como psiquiatras, psicólogos clínicos ou psicoterapeutas com experiência em trauma e dissociação. Em muitos casos, a psiquiatria tem um papel importante, sobretudo para excluir causas neurológicas, substâncias, perturbações psicóticas, perturbações do sono ou outras condições médicas.
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História clínica completa: sintomas, início, duração, impacto, acontecimentos traumáticos, perdas de memória, episódios de desorientação e funcionamento diário
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Tipo de amnésia: localizada, seletiva, generalizada, sistematizada ou associada a fuga dissociativa
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Avaliação do trauma: experiências de abuso, violência, perda, ameaça, humilhação, negligência ou conflitos emocionais intensos
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Avaliação dissociativa: despersonalização, desrealização, sensação de desligamento, lacunas de tempo, estados internos diferentes ou sintomas compatíveis com outras perturbações dissociativas
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Avaliação psiquiátrica: depressão, ansiedade, PSPT, risco suicida, automutilação, sintomas psicóticos, consumo de substâncias e comorbilidades
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Avaliação médica/neurológica: quando indicado, podem ser necessários exames para excluir epilepsia, traumatismo craniano, demência, tumores, AVC, intoxicação, substâncias ou alterações do sono
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Informação de familiares: com consentimento, pode ajudar a compreender períodos esquecidos, mudanças de comportamento ou episódios de fuga
Diagnóstico diferencial
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traumatismo cranioencefálico
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epilepsia
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demência
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delirium
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intoxicação ou abstinência de substâncias
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perturbações do sono
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Perturbação Dissociativa da Identidade
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Perturbação de Stress Pós-Traumático
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Perturbação Bipolar
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perturbações psicóticas
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simulação ou perturbação factícia
O diagnóstico deve ser cuidadoso. Não se deve assumir que a pessoa está a inventar, mas também não se deve ignorar causas médicas importantes.
Tratamentos Disponíveis
A Amnésia Dissociativa pode ser tratada, mas o processo deve ser cuidadoso. O objetivo não é forçar memórias a regressar rapidamente. Isso pode desorganizar ou retraumatizar a pessoa. O tratamento procura criar segurança, estabilizar sintomas, compreender o contexto emocional da amnésia e ajudar a pessoa a reconstruir continuidade pessoal.
Psiquiatria
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avaliar o diagnóstico
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excluir causas neurológicas ou substâncias
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avaliar risco suicida ou automutilação
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tratar depressão, ansiedade, insónia ou sintomas associados
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coordenar cuidados com psicoterapia especializada
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decidir se há necessidade de internamento em situações de risco
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acompanhar casos de fuga dissociativa, desorientação ou amnésia generalizada
Não existe medicação específica para 'curar' a amnésia dissociativa. No entanto, pode haver medicação indicada para sintomas associados, como depressão, ansiedade intensa, insónia ou sofrimento grave. A decisão deve ser individual e feita por psiquiatra.
Psicoterapia especializada em trauma e dissociação
A psicoterapia especializada é uma das intervenções centrais. Deve ser feita por profissionais com experiência em trauma, dissociação e estabilização emocional.
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compreender a função da amnésia
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reduzir medo e vergonha
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identificar gatilhos
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estabilizar emoções
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trabalhar trauma de forma gradual
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reconstruir continuidade autobiográfica
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lidar com memórias que surgem em fragmentos
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integrar experiências sem ser forçada a revivê-las
Psicoterapia HBM integrada
A Psicoterapia HBM pode ajudar, mas não tem o papel essencial neste quadro. Pode ser útil como parte de uma abordagem integrada, quando existe necessidade de compreender causas emocionais associadas à amnésia, experiências traumáticas ou stressantes, culpa, vergonha, medo ou angústia, conflitos internos que a pessoa não conseguiu integrar, padrões relacionais que mantêm insegurança, emoções bloqueadas e o significado emocional das memórias inacessíveis. A HBM deve ser integrada com avaliação psiquiátrica e psicoterapia especializada em trauma/dissociação, sobretudo quando há fuga dissociativa, amnésia ampla, risco suicida, automutilação, desorientação ou sintomas dissociativos graves.
Estabilização e segurança
Antes de procurar memórias, é importante garantir estabilidade.
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rotinas previsíveis
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sono e alimentação
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redução de stress
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rede de apoio
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plano de segurança
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estratégias para lidar com ansiedade
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técnicas de grounding
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acompanhamento regular
A segurança vem antes da exploração profunda do trauma.
Grounding
O grounding ajuda a pessoa a regressar ao presente quando se sente desligada, confusa ou invadida por fragmentos de memória.
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dizer a data e o local
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sentir os pés no chão
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tocar num objeto com textura
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nomear cinco coisas que vê
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beber água devagar
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escrever o que está a acontecer
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repetir: estou aqui, agora, no presente
Trabalho gradual da memória
Quando as memórias começam a regressar, podem surgir em fragmentos: imagens, sensações, cheiros, emoções ou partes soltas de uma história. O trabalho terapêutico deve ajudar a pessoa a organizar esses fragmentos sem se sentir esmagada. Nem todas as memórias regressam de forma completa. A recuperação também pode passar por aprender a viver com algumas incertezas, sem que a identidade fique destruída por elas.
EMDR e abordagens focadas no trauma
Algumas abordagens focadas no trauma, como EMDR adaptado à dissociação, podem ser úteis em certos casos, mas exigem avaliação cuidadosa e estabilização prévia. Em pessoas com dissociação intensa, trabalhar trauma demasiado cedo pode aumentar sintomas.
Hipnose clínica e entrevistas facilitadas
Alguns contextos clínicos especializados podem usar hipnose clínica ou entrevistas facilitadas, mas estas técnicas exigem grande prudência. Não devem ser usadas de forma sensacionalista nem com o objetivo de arrancar memórias. Memórias recuperadas em estados alterados devem ser tratadas com cautela, porque podem ser fragmentadas, simbólicas ou emocionalmente misturadas. O objetivo principal deve ser segurança, integração e funcionamento, não confirmação forçada de factos.
Apoio familiar
A família pode ajudar evitando pressão. Forçar a pessoa a lembrar, confrontá-la agressivamente ou insistir em detalhes pode aumentar ansiedade e reforçar o bloqueio.
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validar o sofrimento
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ajudar a manter rotinas
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respeitar o ritmo
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incentivar acompanhamento especializado
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não acusar a pessoa de estar a inventar
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colaborar com profissionais quando apropriado
A Clínica da Mente pode ajudar?
Sim, mas com uma formulação prudente. A Psicoterapia HBM pode ajudar pessoas com amnésia dissociativa quando integrada num plano clínico mais amplo, especialmente quando há trauma emocional, vergonha, medo, culpa, angústia, conflitos internos ou padrões relacionais associados à perda de memória. Neste quadro, a HBM não tem papel essencial nem deve substituir avaliação psiquiátrica, avaliação médica quando necessária ou psicoterapia especializada em trauma e dissociação.
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que experiências emocionais podem estar ligadas à amnésia
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que acontecimentos foram demasiado difíceis de integrar
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que culpa, vergonha ou medo continuam ativos
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que conflitos internos ficaram bloqueados
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que padrões de proteção emocional estão presentes
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que relações ou contextos mantêm insegurança
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como reconstruir segurança interna
Quando há amnésia ampla, fuga dissociativa, desorientação, risco suicida, automutilação, sintomas traumáticos graves ou suspeita de causas neurológicas, deve existir articulação com psiquiatria e outros profissionais de saúde mental. O objetivo é ajudar a pessoa a recuperar estabilidade, continuidade e segurança, sem forçar memórias nem acelerar processos para os quais ainda não existe base emocional suficiente.
Como Viver com Esta Perturbação
Viver com amnésia dissociativa pode ser assustador. A pessoa pode sentir que a sua história está incompleta ou que não pode confiar totalmente na própria memória.
Criar registos de continuidade
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diário
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agenda
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notas no telemóvel
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lista de compromissos
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registo de emoções
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registo de episódios de confusão
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contactos importantes
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plano para situações de desorientação
Não forçar memórias
Tentar obrigar-se a lembrar pode aumentar ansiedade. A recuperação deve acontecer com segurança, em contexto terapêutico adequado e ao ritmo da pessoa.
Identificar gatilhos
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discussões
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cheiros
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datas
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lugares
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contacto com certas pessoas
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stress intenso
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sensação de ameaça
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vergonha
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cansaço extremo
Conhecer gatilhos ajuda a prevenir episódios.
Usar grounding
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dizer o seu nome
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dizer a data
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olhar à volta
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sentir os pés no chão
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tocar num objeto
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escrever onde está
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contactar alguém seguro
Reduzir vergonha
A amnésia dissociativa pode trazer vergonha, mas não é sinal de fraqueza. É um sinal de que a mente tentou proteger a pessoa de algo emocionalmente difícil.
Procurar ajuda especializada
Quando há lacunas de memória importantes, fuga dissociativa, trauma, desorientação ou risco, a ajuda especializada é essencial.
| Mito | Verdade |
|---|---|
| A pessoa está a inventar. | A amnésia dissociativa é uma perturbação reconhecida clinicamente, embora exija avaliação cuidadosa. |
| É igual a demência. | Não. A demência é uma condição neurocognitiva. A amnésia dissociativa está geralmente ligada a trauma ou stress e exige diagnóstico diferencial. |
| Uma pancada na cabeça resolve. | Isto é ficção. Traumatismos cranianos podem causar outros tipos de amnésia e devem ser avaliados clinicamente. |
| A pessoa esquece-se de tudo, até de falar. | Na maioria dos casos, a perda envolve memória autobiográfica, não competências gerais como falar ou andar. |
| É preciso recuperar todas as memórias. | Nem sempre. O objetivo principal é segurança, continuidade, funcionamento e integração emocional. |
| Forçar a pessoa a lembrar ajuda. | Forçar pode aumentar ansiedade, dissociação ou retraumatização. |
| A Psicoterapia HBM sozinha é suficiente. | A HBM pode ajudar integrada num plano clínico, mas este quadro exige avaliação especializada e, muitas vezes, articulação com psiquiatria. |
| A recuperação acontece de repente. | Muitas vezes é gradual, com fragmentos de memória, estabilização e reconstrução progressiva. |
Quando Procurar Ajuda
Deve procurar ajuda se tem lacunas de memória importantes que não se explicam por esquecimento comum.
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não se lembra de períodos da sua vida
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não consegue recordar acontecimentos importantes
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pessoas próximas relatam coisas que não recorda
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encontra objetos, mensagens ou deslocações que não consegue explicar
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sente-se desligado da sua história
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vive episódios de confusão ou desorientação
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há suspeita de trauma associado
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tem flashbacks, pesadelos ou sintomas de PSPT
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sente vergonha, culpa ou medo ligados a memórias ausentes
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houve fuga dissociativa ou afastamento inesperado de casa
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existem pensamentos de morte, autoagressão ou comportamentos de risco
A Amnésia Dissociativa pode ser tratada. Com avaliação clínica adequada, psiquiatria quando necessário, psicoterapia especializada em trauma e dissociação, e apoio emocional integrado, é possível recuperar estabilidade, compreender o sofrimento e reconstruir continuidade na própria história.
A Psicoterapia HBM pode ajudar como complemento integrado, sobretudo no trabalho das causas emocionais, mas não deve substituir avaliação médica, psiquiátrica ou psicoterapia especializada quando estas são necessárias.
Se houver risco imediato para a vida, desorientação grave, fuga dissociativa, autoagressão, pensamentos suicidas com plano ou perigo atual, deve contactar o 112 ou dirigir-se à urgência hospitalar mais próxima.
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Referências Científicas
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