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Perturbação Dissociativa da Identidade

15 min de leitura11 referências científicas

Há pessoas que vivem com falhas de memória difíceis de explicar. Podem encontrar objetos que não se lembram de ter comprado, mensagens que não se recordam de ter escrito, deslocações que não conseguem reconstruir ou relatos de outras pessoas sobre comportamentos que não reconhecem como seus.

Em alguns casos, podem sentir que existem partes diferentes de si que assumem o controlo em momentos distintos. Essas partes podem ter formas diferentes de sentir, reagir, falar, recordar ou lidar com o mundo.

A Perturbação Dissociativa da Identidade, ou PDI, é uma perturbação dissociativa grave e complexa. Foi anteriormente chamada Perturbação de Personalidade Múltipla, mas essa designação deixou de ser usada por ser menos precisa e por alimentar ideias sensacionalistas.

Na realidade clínica, a PDI não é como nos filmes. As mudanças entre estados de identidade podem ser subtis. Muitas pessoas escondem os sintomas durante anos, sentem vergonha, medo de não serem acreditadas ou são diagnosticadas erradamente com outras perturbações.

A PDI está frequentemente associada a trauma grave, repetido e precoce, especialmente quando ocorreu numa fase em que a identidade ainda estava em desenvolvimento. A dissociação pode funcionar como uma forma extrema de separação interna entre experiências, memórias, emoções e formas de sobrevivência.

Esta perturbação exige avaliação especializada. A psiquiatria pode ter um papel importante no diagnóstico diferencial, na avaliação de risco, no tratamento de sintomas associados e na articulação com psicoterapia especializada em trauma e dissociação.

A Psicoterapia HBM pode ajudar, mas deve ser integrada num plano clínico mais amplo. Pode contribuir para compreender as causas emocionais, o impacto do trauma, a vergonha, o medo, os conflitos internos e a forma como a pessoa aprendeu a separar partes da experiência para sobreviver. No entanto, não deve substituir avaliação psiquiátrica, psicoterapia especializada em dissociação ou acompanhamento clínico quando existe risco.

A PDI pode ser tratada. O objetivo não é forçar a pessoa a ser uma só de forma brusca, mas ajudá-la a ganhar segurança, continuidade, cooperação interna, estabilidade emocional e melhor funcionamento na vida diária.

O que é — Definição Clínica

De acordo com o DSM-5-TR, a Perturbação Dissociativa da Identidade caracteriza-se por uma perturbação da identidade, com dois ou mais estados de personalidade ou identidade distintos, acompanhada por descontinuidade marcada no sentido de si e no controlo das ações.

Também existem lacunas recorrentes na memória para acontecimentos quotidianos, informações pessoais importantes ou acontecimentos traumáticos, que não se explicam por esquecimento comum.

Estas alterações podem manifestar-se de várias formas:

  • sensação de que há partes internas diferentes;

  • mudanças na forma de falar, sentir, agir ou reagir;

  • lapsos de memória significativos;

  • períodos de tempo que a pessoa não consegue recordar;

  • sensação de observar o próprio comportamento sem controlo total;

  • vozes ou diálogos internos percebidos como partes de si, diferentes de alucinações psicóticas típicas;

  • mudanças súbitas de preferências, postura, escrita, emoções ou respostas a situações.

A pessoa pode ou não ter consciência clara destas mudanças. Em muitos casos, quem primeiro repara são familiares, parceiros, colegas ou profissionais.

Para o diagnóstico, os sintomas devem causar sofrimento significativo ou prejuízo na vida social, profissional, familiar ou pessoal, e não podem ser melhor explicados por substâncias, práticas culturais/religiosas aceites ou outra condição médica.

A PDI pertence ao grupo das Perturbações Dissociativas, juntamente com a Amnésia Dissociativa e a Perturbação de Despersonalização/Desrealização.

Sintomas e Sinais

A PDI pode afetar identidade, memória, perceção, comportamento, corpo e relações.

CategoriaSintomas comunsImpacto real no quotidiano
IdentidadeEstados de identidade distintos, sensação de partes internas, mudanças de voz, postura ou forma de reagirA pessoa pode sentir-se fragmentada ou sem continuidade interna
MemóriaLacunas de horas, dias, conversas, deslocações ou açõesPode descobrir coisas que fez sem se recordar
PerceçãoDespersonalização, desrealização, sensação de estar fora do corpoA realidade pode parecer distante, estranha ou irreal
ComportamentoMudanças súbitas de preferências, decisões, escrita, hábitos ou respostas emocionaisFamiliares ou colegas podem notar alterações difíceis de explicar
EmoçõesMedo, vergonha, confusão, ansiedade, culpa, tristeza, raiva ou vazioA pessoa pode sentir que perde controlo sobre si
RelaçõesDificuldade em explicar sintomas, medo de julgamento, conflitos ou isolamentoA vida familiar e afetiva pode ficar muito afetada

Estados de identidade

Os estados de identidade podem ser compreendidos como partes dissociativas da pessoa, com formas próprias de sentir, lembrar, proteger, evitar ou responder ao mundo. Algumas partes podem estar ligadas a experiências traumáticas. Outras podem funcionar no quotidiano, trabalhar, cuidar da casa ou relacionar-se com os outros.

Amnésia dissociativa

A amnésia na PDI vai além de esquecer coisas. A pessoa pode não se lembrar de acontecimentos importantes, conversas recentes, deslocações, compras, mensagens, decisões ou comportamentos. Isto pode gerar medo, vergonha e sensação de perda de controlo.

Despersonalização e desrealização

A pessoa pode sentir que observa a própria vida de fora, que o corpo não parece seu ou que o mundo parece irreal, distante ou como um sonho. Estes sintomas podem ser muito assustadores, mas fazem parte do espectro dissociativo.

Vozes internas

Algumas pessoas com PDI descrevem vozes internas, diálogos ou pensamentos que parecem pertencer a partes diferentes de si. Isto deve ser avaliado com cuidado, porque pode ser confundido com sintomas psicóticos. A diferença nem sempre é simples e exige avaliação especializada.

Sintomas físicos e funcionais

Podem surgir dores de cabeça, fadiga, alterações de sono, tensão, sintomas corporais sem explicação médica clara ou variações no modo como a pessoa sente o corpo. Estes sintomas não devem ser descartados. Devem ser avaliados de forma integrada, incluindo avaliação médica quando necessário.

Causas e Fatores de Risco

A PDI é frequentemente compreendida como uma resposta dissociativa a experiências traumáticas graves, repetidas e precoces. A dissociação pode surgir quando a criança vive situações que são demasiado intensas para conseguir integrar emocionalmente. Separar internamente partes da experiência pode permitir continuar a funcionar, mesmo quando a realidade externa é assustadora, abusiva ou imprevisível.

Trauma grave e repetido na infância

Muitas pessoas com PDI relatam histórias de abuso físico, sexual ou emocional, negligência grave, violência doméstica, humilhação, abandono ou medo persistente durante a infância. Quando estas experiências acontecem antes de a identidade estar consolidada, a mente pode organizar diferentes estados internos para lidar com necessidades contraditórias: sobreviver, obedecer, fugir mentalmente, guardar memórias, funcionar no dia a dia ou proteger-se da dor.

Falta de proteção

O impacto do trauma é maior quando a criança não tem um adulto seguro a quem recorrer. Quando quem devia proteger não protege, não acredita, ignora ou é a própria fonte de ameaça, a criança pode ficar sem saída emocional.

Ambientes imprevisíveis

Crescer num ambiente onde nunca se sabe o que vai acontecer pode favorecer a dissociação. A criança aprende a adaptar-se rapidamente, a desligar emoções ou a separar memórias para sobreviver.

Vergonha e segredo

Traumas mantidos em segredo podem aprofundar a fragmentação interna. A pessoa aprende que certas partes da sua experiência não podem ser ditas, sentidas ou lembradas.

Dissociação como defesa

A dissociação não significa fingimento. É uma forma de a mente se proteger quando a realidade é demasiado dolorosa, ameaçadora ou contraditória. Aquilo que começou como defesa pode, na idade adulta, tornar-se fonte de sofrimento, confusão e prejuízo.

Comorbilidades frequentes

A PDI pode coexistir com depressão, ansiedade, PSPT, PSPT complexa, perturbações alimentares, automutilação, consumo de substâncias, perturbações do sono ou sintomas somáticos. Por isso, a avaliação psiquiátrica e psicológica deve ser abrangente.

Como é Diagnosticada

O diagnóstico da PDI deve ser feito por profissionais experientes em dissociação, trauma e diagnóstico diferencial. Em muitos casos, é necessária avaliação psiquiátrica especializada. A PDI é frequentemente mal diagnosticada durante anos, porque pode parecer depressão, ansiedade, psicose, perturbação borderline da personalidade, PSPT complexa, perturbações neurológicas ou consumo de substâncias.

A avaliação pode incluir: história clínica completa (sintomas atuais, início, evolução, impacto funcional, história de trauma, tratamentos anteriores e diagnósticos prévios); avaliação dissociativa (lacunas de memória, despersonalização, desrealização, estados de identidade, sensação de partes internas e perda de continuidade); avaliação psiquiátrica (risco suicida, automutilação, sintomas psicóticos, depressão, ansiedade, insónia, impulsividade, consumo de substâncias e outras comorbilidades); avaliação médica/neurológica quando necessário; instrumentos de rastreio como a Dissociative Experiences Scale (DES) e entrevistas clínicas especializadas como a SCID-D.

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial é essencial. A PDI pode ser confundida com:

  • Esquizofrenia ou outras perturbações psicóticas;

  • Perturbação Borderline da Personalidade;

  • Perturbação de Stress Pós-Traumático Complexo;

  • Perturbação Bipolar;

  • Epilepsia do lobo temporal;

  • Amnésia dissociativa;

  • Perturbações relacionadas com substâncias;

  • Simulação ou perturbação factícia.

A avaliação deve ser cuidadosa, sem assumir automaticamente que a pessoa está a inventar, mas também sem ignorar outras hipóteses clínicas importantes.

Tratamentos Disponíveis

O tratamento da Perturbação Dissociativa da Identidade é geralmente longo, especializado e faseado. A Psicoterapia HBM pode ajudar como parte de uma abordagem integrada, mas não deve ser usada isoladamente nem substituir avaliação psiquiátrica, psicoterapia especializada em dissociação e trauma, ou tratamento de comorbilidades.

Psiquiatria

A psiquiatria pode ter um papel importante na PDI, especialmente em: confirmação ou clarificação diagnóstica; diagnóstico diferencial com psicose, perturbação bipolar, perturbação borderline da personalidade, epilepsia ou consumo de substâncias; avaliação de risco suicida ou automutilação; tratamento de depressão, ansiedade, insónia, impulsividade ou sintomas associados; coordenação com psicoterapia especializada; avaliação da necessidade de internamento em situações de risco.

Não existe medicação específica que trate a PDI em si. No entanto, pode haver medicação indicada para sintomas ou perturbações associadas, como depressão, ansiedade grave, perturbações do sono, instabilidade emocional ou sintomas psicóticos/dissociativos graves. A medicação deve ser sempre avaliada individualmente por psiquiatra.

Psicoterapia HBM integrada

A Psicoterapia HBM pode ser útil quando integrada num plano terapêutico mais amplo, especialmente para compreender as causas emocionais que contribuíram para a fragmentação interna. Neste contexto, a HBM pode ajudar a explorar: experiências emocionais traumáticas; vergonha, culpa, medo e angústia; conflitos internos entre partes; memórias emocionais que continuam ativas; necessidades de proteção, controlo ou sobrevivência; padrões relacionais marcados por trauma; dificuldade em confiar; formas de reconstruir segurança interna.

A HBM deve ser usada de forma coordenada com acompanhamento psiquiátrico e psicoterapia especializada em dissociação, sobretudo quando há amnésia importante, risco de autoagressão, sintomas traumáticos intensos ou desorganização significativa. O objetivo não é forçar integração rápida, mas favorecer compreensão emocional, segurança e cooperação interna.

Tratamento faseado (ISSTD)

As guidelines da ISSTD recomendam uma abordagem faseada para adultos com PDI e perturbações dissociativas semelhantes. Este modelo é uma referência internacional no tratamento da PDI.

Fase 1 — Segurança e estabilização

Nesta fase, o foco é aumentar segurança e reduzir risco. Pode incluir: reduzir comportamentos autodestrutivos; melhorar sono e rotinas; aprender estratégias de grounding; reconhecer gatilhos; desenvolver regulação emocional; criar comunicação interna mais segura; diminuir amnésia e desorganização; construir aliança terapêutica estável; envolver psiquiatria quando há risco ou comorbilidades. Esta fase pode ser longa e é fundamental. Trabalhar trauma demasiado cedo pode desestabilizar.

Fase 2 — Trabalho traumático gradual

Quando existe estabilidade suficiente, pode iniciar-se trabalho sobre memórias traumáticas. Este trabalho deve ser gradual, cuidadoso e adaptado à dissociação. O objetivo não é reviver tudo de forma brusca, mas permitir que memórias, emoções e partes dissociadas sejam trabalhadas com segurança. Podem ser usadas abordagens focadas no trauma, incluindo EMDR adaptado à dissociação, terapia sensório-motora, terapia focada no trauma ou outras intervenções especializadas.

Fase 3 — Integração e reabilitação

A integração não significa necessariamente apagar partes ou forçar fusão completa. Em muitos casos, o objetivo é integração funcional: maior cooperação interna, menos amnésia, mais continuidade, melhor regulação e capacidade de viver com estabilidade. A pessoa trabalha identidade, relações, trabalho, autonomia, projetos de vida e qualidade de vida.

Psicoterapia especializada em dissociação

A psicoterapia especializada é central. Deve ser conduzida por profissional com experiência em trauma complexo e perturbações dissociativas. O tratamento pode trabalhar: comunicação entre partes; redução de conflitos internos; continuidade de memória; gestão de gatilhos; estabilização emocional; trauma; vergonha; segurança no corpo; relações; vida diária.

Grounding e estabilização

O grounding ajuda a pessoa a voltar ao presente quando há dissociação, despersonalização, desrealização ou sensação de perda de controlo.

  • sentir os pés no chão;

  • nomear o local e a data;

  • tocar num objeto com textura;

  • identificar cinco coisas que vê;

  • respirar lentamente;

  • escrever o que está a acontecer;

  • usar um diário de continuidade.

Psicoeducação

Compreender a PDI ajuda a reduzir medo e vergonha. A pessoa e a família precisam de perceber que os sintomas não são teatro, manipulação ou loucura. São manifestações dissociativas complexas que precisam de tratamento especializado.

Apoio familiar

Familiares e parceiros podem precisar de orientação para compreender a perturbação, lidar com mudanças de estado, apoiar sem reforçar dependência e saber agir em situações de risco. O apoio familiar deve ser cuidadoso, respeitando privacidade, segurança e autonomia da pessoa.

Internamento ou intervenção intensiva

Em alguns casos, pode ser necessário internamento ou intervenção intensiva, especialmente quando existe: risco suicida; automutilação grave; desorganização intensa; abuso ativo; incapacidade de manter segurança; sintomas psicóticos graves; consumo de substâncias com risco; instabilidade severa.

A Clínica da Mente pode ajudar?

Sim, mas neste quadro a ajuda deve ser enquadrada com prudência. A Perturbação Dissociativa da Identidade exige avaliação por profissionais especializados em dissociação, trauma complexo e psiquiatria. A pessoa pode beneficiar de uma equipa clínica com experiência neste tipo de perturbação, especialmente quando há amnésia dissociativa, estados de identidade distintos, risco suicida, automutilação, sintomas traumáticos graves ou comorbilidades.

A Psicoterapia HBM pode ajudar como parte de um plano integrado, nunca como substituto da avaliação psiquiátrica ou da intervenção especializada em dissociação. Neste enquadramento, a Clínica da Mente pode ajudar a pessoa a compreender: que experiências emocionais contribuíram para a fragmentação interna; que medos, culpas ou vergonhas continuam ativos; que partes internas procuram proteger a pessoa; que memórias emocionais permanecem separadas; que conflitos internos aumentam sofrimento; que padrões relacionais nasceram do trauma; como construir segurança emocional e maior cooperação interna.

A intervenção deve ser articulada, quando necessário, com psiquiatria, psicoterapia especializada em dissociação, avaliação de risco e outros serviços de saúde mental. O objetivo é ajudar a pessoa a ganhar estabilidade, reduzir sofrimento, melhorar continuidade interna, tratar trauma de forma segura e recuperar funcionamento no quotidiano.

Como Viver com Esta Perturbação

Viver com PDI pode ser confuso, assustador e solitário. Muitas pessoas passam anos a tentar esconder sintomas ou a explicar falhas de memória.

Criar registos de continuidade

Um diário, agenda, aplicação segura ou caderno pode ajudar a registar: onde esteve; com quem falou; decisões tomadas; compromissos; emoções; mudanças de estado; medicação prescrita; situações de risco. Isto pode reduzir confusão e aumentar continuidade.

Identificar gatilhos

Gatilhos podem ativar dissociação ou mudanças de estado. Podem incluir: conflitos; vozes altas; críticas; contacto físico; cheiros; datas; lugares; sensação de abandono; stress intenso. Conhecer gatilhos ajuda a preparar estratégias.

Usar grounding

Quando sentir que está a desligar, pode ajudar: olhar à volta e nomear o espaço; dizer a data e a idade atual; tocar em algo frio ou texturado; sentir os pés no chão; escrever que está no presente; contactar uma pessoa segura.

Ter plano de segurança

Quando há risco de autoagressão, impulsividade ou perda de tempo significativa, é importante ter um plano de segurança com profissionais. Pode incluir contactos de emergência, sinais de alerta, pessoas de apoio e passos concretos para momentos de crise.

Evitar autojulgamento

A PDI é frequentemente acompanhada de vergonha. A pessoa pode sentir que é estranha ou perigosa. A vergonha dificulta o tratamento. A compreensão e a avaliação clínica adequada ajudam.

Procurar acompanhamento especializado

A PDI raramente melhora com estratégias isoladas. O acompanhamento especializado é essencial para reduzir sofrimento, estabilizar e trabalhar trauma com segurança.

Mitos e Verdades

MitoVerdade
A PDI é inventada.A PDI é uma perturbação reconhecida clinicamente, embora complexa e por vezes controversa. A investigação empírica desmonta vários mitos comuns sobre a perturbação.
É como nos filmes.A maioria dos casos não é dramática ou violenta como na ficção. As mudanças podem ser subtis.
As pessoas com PDI são perigosas.Pessoas com PDI são mais frequentemente pessoas que sofreram trauma do que pessoas perigosas.
É o mesmo que esquizofrenia.São perturbações diferentes. Vozes internas, dissociação e estados de identidade exigem avaliação diferencial cuidadosa.
É manipulação.Os sintomas dissociativos são involuntários e podem causar grande sofrimento.
A Psicoterapia HBM sozinha resolve.A HBM pode ajudar integrada num plano clínico, mas a PDI exige avaliação especializada, psiquiatria quando necessário e psicoterapia focada em dissociação/trauma.
O objetivo é eliminar partes.O objetivo pode ser cooperação interna, continuidade, segurança e funcionamento, não necessariamente fusão completa.
Basta falar do trauma.Antes de trabalhar trauma, é necessário estabilização, segurança e avaliação de risco.

Quando Procurar Ajuda

Deve procurar ajuda especializada se tem lacunas de memória inexplicáveis, mudanças de comportamento que não reconhece, sensação de partes internas distintas ou episódios em que perde continuidade do tempo.

  • encontra objetos ou mensagens que não se lembra de ter criado;

  • pessoas próximas relatam ações que não recorda;

  • sente que há partes de si com vontades, idades ou emoções muito diferentes;

  • tem despersonalização ou desrealização intensa;

  • ouve vozes internas ou diálogos internos perturbadores;

  • tem história de trauma grave ou repetido;

  • tem automutilação, impulsos suicidas ou comportamentos de risco;

  • sente que perde controlo sobre períodos do dia;

  • já recebeu vários diagnósticos sem melhoria clara;

  • suspeita de dissociação intensa.

A Perturbação Dissociativa da Identidade pode ser tratada, mas exige acompanhamento especializado. A avaliação psiquiátrica pode ser essencial para clarificar o diagnóstico, avaliar risco, tratar sintomas associados e articular o plano terapêutico. A Psicoterapia HBM pode ajudar dentro de uma abordagem integrada, especialmente no trabalho das causas emocionais, vergonha, medo, trauma e segurança interna, mas não deve substituir acompanhamento especializado em dissociação.

Se houver risco imediato para a vida, autoagressão, pensamentos suicidas com plano, perda grave de controlo, violência em curso ou perigo atual, deve contactar o 112 ou dirigir-se à urgência hospitalar mais próxima.

Tópicos relacionados

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Referências Científicas

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