Imagine uma criança pequena num parque que se afasta dos cuidadores sem olhar para trás, aproxima-se de um adulto desconhecido, senta-se ao seu colo, pega-lhe na mão ou aceita ir com ele sem hesitação.
À primeira vista, pode parecer apenas uma criança muito sociável, simpática ou extrovertida. Mas, em alguns casos, este comportamento não é simples simpatia. Pode refletir uma dificuldade profunda em distinguir adultos seguros de adultos desconhecidos.
A Perturbação de Envolvimento Social Desinibido surge em crianças que, nos primeiros anos de vida, não tiveram oportunidades suficientes para desenvolver um vínculo seletivo, estável e seguro com cuidadores consistentes. A criança pode ter aprendido que qualquer adulto pode ser fonte de atenção, comida, colo ou contacto, sem conseguir diferenciar quem é a sua figura de proteção.
Ao contrário da Perturbação Reativa de Vinculação, em que a criança tende a afastar-se e a não procurar conforto, na Perturbação de Envolvimento Social Desinibido a criança aproxima-se de forma excessivamente familiar de adultos desconhecidos. Pode parecer confiante, mas essa ausência de limites sociais pode colocá-la em risco.
Esta perturbação não é "falta de educação", "excesso de simpatia" ou manipulação. É uma dificuldade relacional ligada a experiências precoces de cuidado insuficiente, instabilidade ou ausência de vínculos seletivos.
A Psicoterapia HBM pode ajudar a compreender as causas emocionais e relacionais que estão por trás desta procura indiscriminada de adultos, apoiando a criança e os cuidadores na construção de segurança, limites e confiança numa relação estável.
Resposta Rápida
A Perturbação de Envolvimento Social Desinibido é uma perturbação relacionada com trauma que surge em crianças que não tiveram oportunidade de desenvolver vínculos seletivos. Manifesta-se como aproximação excessivamente familiar a adultos desconhecidos e ausência de limites sociais seguros. É tratável com Psicoterapia HBM e intervenção centrada na relação.
O que é — Definição Clínica
De acordo com o DSM-5-TR, a Perturbação de Envolvimento Social Desinibido pertence ao grupo das Perturbações Relacionadas com Trauma e Fatores de Stress.
Caracteriza-se por um padrão de comportamento em que a criança aborda e interage ativamente com adultos desconhecidos de forma excessivamente familiar e sem a reticência esperada para a sua idade.
A criança pode apresentar:
- ✦
pouca ou nenhuma hesitação em aproximar-se de adultos desconhecidos;
- ✦
comportamento verbal ou físico demasiado familiar;
- ✦
pouca ou nenhuma verificação da presença do cuidador quando se afasta;
- ✦
disposição para sair com um adulto desconhecido sem resistência adequada;
- ✦
limites sociais frágeis perante pessoas que não conhece.
Para este diagnóstico, é necessário existir uma história de cuidados gravemente insuficientes, como negligência emocional, ausência de cuidadores estáveis, mudanças repetidas de cuidadores principais ou criação em contextos onde a criança não teve oportunidade de formar vínculos seletivos.
A perturbação não deve ser explicada apenas por impulsividade comum ou por Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção. Na PESD, a dificuldade é especialmente marcada na forma como a criança se relaciona com adultos desconhecidos e na ausência de procura de segurança junto do cuidador.
Sintomas e Sinais
A Perturbação de Envolvimento Social Desinibido manifesta-se sobretudo através da forma como a criança se aproxima de adultos desconhecidos e da dificuldade em usar o cuidador como base de segurança.
Categorias de sintomas
| Categoria | Sinais comuns | Impacto real no quotidiano |
|---|---|---|
| Comportamental | Aproximação sem hesitação a adultos desconhecidos, afastamento sem verificar cuidador | A criança pode colocar-se em situações de risco |
| Relacional | Familiaridade física ou verbal excessiva com estranhos | Os limites entre conhecidos e desconhecidos ficam pouco claros |
| Emocional | Procura intensa de atenção, afeto ou contacto de qualquer adulto | A criança parece aberta, mas sem vínculo seletivo seguro |
| Segurança | Disponibilidade para sair com desconhecidos, pouca cautela social | A supervisão em espaços públicos torna-se essencial |
| Familiar | A criança pode parecer mais ligada a estranhos do que à família | Cuidadores sentem confusão, medo ou frustração |
Aproximação sem reticência
Crianças pequenas podem ser sociáveis, mas geralmente verificam a presença dos cuidadores, procuram sinais de segurança e hesitam perante desconhecidos.
Na PESD, a criança pode aproximar-se de forma imediata, intensa e sem cautela.
Familiaridade excessiva
A criança pode abraçar, tocar, sentar-se ao colo, chamar nomes afetivos, contar informações pessoais ou procurar contacto físico com adultos que acabou de conhecer.
Este comportamento pode parecer "querido" para quem não conhece a perturbação, mas representa uma dificuldade em reconhecer limites sociais e segurança.
Pouca verificação do cuidador
Uma criança com vínculo seguro costuma olhar para trás, procurar o adulto de referência ou regressar ao cuidador quando explora um ambiente novo.
Na PESD, a criança pode afastar-se sem verificar se o cuidador está presente, como se qualquer adulto pudesse ocupar esse lugar.
Risco de afastamento com desconhecidos
Um dos aspetos mais preocupantes é a possibilidade de a criança aceitar sair, caminhar ou acompanhar um adulto desconhecido sem resistência adequada.
Isto exige supervisão cuidadosa, ensino de limites e planos de segurança.
Causas e Fatores de Risco
A Perturbação de Envolvimento Social Desinibido surge em contexto de cuidados gravemente insuficientes nos primeiros anos de vida, especialmente quando a criança não teve oportunidade de construir uma relação estável e seletiva com cuidadores consistentes.
A criança precisa de aprender que existem pessoas específicas responsáveis por protegê-la. Quando os adultos mudam repetidamente, estão pouco disponíveis ou respondem de forma impessoal, a criança pode não desenvolver essa distinção.
Ausência de vínculo seletivo
O ponto central da PESD é a dificuldade em formar ou usar um vínculo seletivo. A criança não parece distinguir claramente entre "o meu cuidador" e "qualquer adulto".
Pode procurar atenção, colo ou ajuda de qualquer pessoa disponível, porque aprendeu que o cuidado não vinha de uma figura estável.
Negligência emocional
Quando a criança não recebe resposta consistente às suas necessidades de afeto, proteção, conforto e segurança, pode começar a procurar contacto de forma indiscriminada.
A proximidade com estranhos pode ser uma tentativa de obter aquilo que não esteve disponível de forma estável.
Mudanças repetidas de cuidadores
Acolhimentos sucessivos, separações, institucionalização, mudanças de família ou ausência de uma figura constante podem impedir que a criança aprenda quem é a sua base segura.
Se os adultos entram e saem da sua vida, a criança pode deixar de construir uma referência clara.
Cuidados impessoais ou institucionalização
Em contextos onde há muitos adultos para muitas crianças, ou onde os cuidados são sobretudo práticos e pouco individualizados, a criança pode receber alimentação e higiene, mas não uma relação contínua e personalizada.
Sem uma figura de referência consistente, pode aprender a procurar atenção de qualquer adulto.
Procura indiscriminada de atenção
A aproximação a desconhecidos pode ser compreendida como uma procura de atenção, afeto ou segurança. A criança não está necessariamente "a manipular"; pode estar a tentar garantir presença e contacto.
O problema é que esta procura acontece sem avaliação adequada do risco.
Falta de limites protetores
Crianças precisam de adultos que ensinem, com calma e repetição, quem é seguro, quem é desconhecido, quando se pode aproximar, quando deve ficar perto e quando deve pedir autorização.
Quando esses limites não foram ensinados ou não foram sustentados por cuidadores consistentes, a criança pode não os internalizar.
Abandono e instabilidade
Experiências de abandono, negligência, separações repetidas ou perda de cuidadores podem criar uma necessidade intensa de contacto. A criança pode aproximar-se de qualquer adulto porque teme não ter ninguém.
A familiaridade excessiva pode esconder insegurança.
Defesa contra a rejeição
Algumas crianças aprendem a procurar rapidamente a atenção de adultos como forma de não se sentirem invisíveis. A aproximação exagerada pode funcionar como tentativa de garantir que alguém repara nelas.
Por trás da aparente confiança, pode haver medo de não ser escolhida, não ser vista ou ser novamente deixada.
Diferença face à Perturbação Reativa de Vinculação
A PRV e a PESD podem ter origem em cuidados insuficientes, mas expressam-se de forma diferente.
Na PRV, a criança tende a retrair-se, não procurar conforto e responder pouco ao cuidador. Na PESD, a criança aproxima-se de forma indiscriminada de adultos desconhecidos e tem dificuldade em manter limites seguros.
Como é Diagnosticada
O diagnóstico deve ser feito por um profissional qualificado em saúde mental infantil, como psicólogo clínico infantil, pedopsiquiatra ou equipa especializada em trauma, vinculação e desenvolvimento.
A avaliação deve incluir a criança, os cuidadores e a história de vida. Pode incluir:
- ✦
História de cuidados: negligência, abandono, institucionalização, acolhimento, adoção, mudanças repetidas de cuidadores, separações ou ausência de vínculo estável.
- ✦
Comportamento com desconhecidos: se a criança se aproxima sem hesitação, toca, abraça, conversa intimamente ou aceita afastar-se com adultos que não conhece.
- ✦
Verificação do cuidador: se olha para trás, procura autorização, regressa ao cuidador ou se afasta sem referência.
- ✦
Limites sociais: se distingue familiares, conhecidos e desconhecidos; se respeita distância física adequada; se revela familiaridade excessiva.
- ✦
Risco de segurança: se já se afastou com estranhos, saiu sem autorização ou se colocou em situações de perigo.
- ✦
Relação com cuidadores atuais: se existe vínculo seletivo, procura de proteção, resposta a limites e capacidade de aceitar orientação.
- ✦
Desenvolvimento global: linguagem, aprendizagem, atenção, impulsividade, socialização, sono, alimentação e regulação emocional.
- ✦
Diagnóstico diferencial: é importante distinguir PESD de PHDA, Perturbação Reativa de Vinculação, Perturbação do Espectro do Autismo, trauma, dificuldades cognitivas, perturbações de comportamento ou simples extroversão.
Na PHDA, pode haver impulsividade em várias áreas. Na PESD, a impulsividade é especialmente social e manifesta-se na aproximação excessiva a adultos desconhecidos, com pouca procura de segurança no cuidador.
Tratamentos Disponíveis
A Perturbação de Envolvimento Social Desinibido exige intervenção centrada na segurança, na relação e nos cuidadores. O objetivo não é tornar a criança "menos simpática", mas ajudá-la a distinguir quem é seguro, construir vínculo seletivo e respeitar limites sociais protetores.
Ambiente estável e previsível
A base da intervenção é garantir que a criança vive com cuidadores estáveis, previsíveis e emocionalmente disponíveis.
A criança precisa de repetir muitas vezes a experiência: "há adultos específicos que cuidam de mim"; "não preciso procurar qualquer pessoa"; "posso voltar ao meu cuidador"; "há limites que me protegem".
Psicoterapia HBM
A Psicoterapia HBM pode ajudar a compreender as causas emocionais que estão por trás da procura indiscriminada de adultos.
A intervenção pode trabalhar:
- ✦
a insegurança relacional;
- ✦
o medo de não ser vista ou escolhida;
- ✦
a procura de atenção de qualquer adulto;
- ✦
a ausência de vínculo seletivo;
- ✦
a confusão entre afeto, contacto e segurança;
- ✦
o impacto de negligência, abandono ou instabilidade;
- ✦
a construção de confiança nos cuidadores atuais;
- ✦
a aprendizagem de limites sociais seguros.
Na PESD, o trabalho deve envolver os cuidadores, porque a criança precisa de adultos que repitam, todos os dias, as mesmas mensagens de segurança e pertença.
Psicoterapia infantil
A psicoterapia infantil pode usar brincadeira, histórias, desenhos, jogos de papéis e situações simuladas para trabalhar a diferença entre cuidadores, conhecidos e desconhecidos.
A criança pode aprender, de forma adaptada à idade:
- ✦
quem são as pessoas seguras;
- ✦
quando deve pedir autorização;
- ✦
a quem pode dar a mão;
- ✦
com quem pode sair;
- ✦
que informações pessoais não deve partilhar;
- ✦
como regressar ao cuidador em espaços públicos.
Intervenção cuidador-criança
A intervenção com cuidadores é essencial. O adulto precisa de ajudar a criança a criar vínculo seletivo e limites sem humilhar, assustar ou rejeitar.
Os cuidadores podem aprender a:
- ✦
supervisionar sem transmitir pânico;
- ✦
ensinar regras de segurança de forma repetida;
- ✦
reforçar a ligação "voltas sempre para mim";
- ✦
responder com calma quando a criança procura estranhos;
- ✦
evitar interpretar o comportamento como provocação;
- ✦
criar rotinas previsíveis;
- ✦
valorizar sinais de procura do cuidador;
- ✦
treinar limites em contextos reais.
Orientação parental ou dos cuidadores
Pais adotivos, famílias de acolhimento, cuidadores e educadores podem precisar de apoio para lidar com o medo e a exaustão associados ao comportamento da criança.
A orientação ajuda a estabelecer regras claras, consistentes e repetidas:
- ✦
não sair com adultos desconhecidos;
- ✦
pedir autorização antes de se afastar;
- ✦
manter-se dentro de uma zona combinada;
- ✦
regressar ao cuidador quando chamado;
- ✦
não dar abraços ou colo a adultos desconhecidos;
- ✦
não partilhar dados pessoais.
Trabalho com a escola
A escola deve estar informada, para garantir proteção e consistência.
Professores e auxiliares podem ajudar ensinando limites, monitorizando aproximações a adultos desconhecidos e reforçando comportamentos seguros.
A NICE recomenda avaliação e intervenção para dificuldades de vinculação em crianças e jovens adotados, em acolhimento, cuidados residenciais ou em risco, com articulação entre contextos de cuidado e profissionais.
Treino de segurança social
O treino de segurança social é central. A criança pode precisar de aprender explicitamente regras que outras crianças desenvolvem de forma mais intuitiva.
Podem ser usados jogos, cartões, histórias, desenhos e ensaios práticos:
- ✦
"quem é família?";
- ✦
"quem é conhecido?";
- ✦
"quem é desconhecido?";
- ✦
"a quem posso pedir ajuda?";
- ✦
"com quem posso sair?";
- ✦
"quando devo voltar ao adulto que cuida de mim?"
Terapia focada no trauma
Quando há história de abandono, negligência, maus-tratos, institucionalização ou ruturas repetidas, pode ser útil uma intervenção focada no trauma emocional.
O objetivo é ajudar a criança a elaborar experiências difíceis e desenvolver uma relação mais segura com adultos consistentes.
A Clínica da Mente pode ajudar?
Sim. A Clínica da Mente pode ajudar crianças e famílias com Perturbação de Envolvimento Social Desinibido, dificuldades de vinculação, ausência de limites sociais seguros, procura indiscriminada de adultos, história de negligência, abandono, acolhimento, adoção ou instabilidade de cuidadores.
A Psicoterapia HBM pode ajudar a compreender as causas emocionais e relacionais que estão por trás deste comportamento. Muitas vezes, a criança aproxima-se de qualquer adulto porque não aprendeu a sentir que existe uma pessoa específica, estável e segura que a protege.
A Clínica da Mente pode ajudar a mapear:
- ✦
que experiências de abandono, negligência ou instabilidade marcaram a criança;
- ✦
como a criança procura atenção e contacto;
- ✦
se existe dificuldade em distinguir cuidadores de desconhecidos;
- ✦
que medos ou carências podem estar por trás da procura indiscriminada;
- ✦
como os cuidadores podem construir vínculo seletivo;
- ✦
que limites sociais precisam de ser ensinados;
- ✦
que situações representam maior risco;
- ✦
como a escola e a família podem agir de forma consistente.
A intervenção pode incluir psicoterapia infantil, orientação parental, trabalho com cuidadores, apoio à relação criança-cuidador, treino de segurança social e articulação com escola ou outros contextos de cuidado.
O objetivo é ajudar a criança a sentir que pertence a uma relação segura, que não precisa procurar qualquer adulto para receber atenção e que os limites existem para a proteger.
Como Viver com Esta Perturbação
Cuidar de uma criança com PESD pode ser exigente e assustador. A criança pode aproximar-se de desconhecidos com tanta facilidade que os cuidadores sentem necessidade de vigilância constante.
Não confundir simpatia com segurança
A criança pode parecer muito sociável, mas a questão principal é se consegue distinguir pessoas seguras de desconhecidos. O objetivo não é retirar espontaneidade, mas ensinar limites protetores.
Supervisionar em espaços públicos
Em parques, centros comerciais, escolas, festas ou transportes, a criança pode precisar de supervisão próxima. Isto não deve ser apresentado como castigo, mas como proteção.
Ensinar regras simples e repetidas
A criança precisa de regras claras:
- ✦
"não sais com ninguém sem me perguntar";
- ✦
"adultos desconhecidos não dão colo";
- ✦
"se alguém te chama, vens primeiro ter comigo";
- ✦
"quando estamos fora de casa, ficas onde eu te vejo".
Estas regras devem ser repetidas com calma e consistência.
Praticar situações
Não basta explicar uma vez. A criança pode precisar de praticar.
Podem ser feitos jogos de "o que fazes se…?" com situações concretas:
- ✦
um adulto oferece doces;
- ✦
um estranho pede ajuda;
- ✦
alguém chama pelo nome;
- ✦
alguém quer dar colo;
- ✦
alguém diz para guardar segredo.
Reforçar a ligação ao cuidador
A criança precisa de sentir que tem uma pessoa de referência. Frases como "eu sou o teu adulto seguro", "quando tens dúvidas, voltas para mim" ou "eu estou aqui para te proteger" podem ser repetidas de forma calma.
Evitar vergonha
Gritar, humilhar ou chamar a criança de "atrevida" ou "sem juízo" pode aumentar insegurança. A correção deve ser firme, mas acolhedora.
Cuidar dos cuidadores
Os cuidadores podem sentir medo, culpa, cansaço ou frustração. Precisam de apoio, orientação e descanso. Uma criança com dificuldades de vinculação precisa de adultos consistentes, e os adultos precisam de suporte para conseguir manter essa consistência.
Mitos e Verdades
| Mito | Verdade |
|---|---|
| "É só uma criança muito extrovertida." | A PESD envolve falta de limites sociais seguros e aproximação excessiva a desconhecidos. |
| "Ela gosta mais de estranhos do que da família." | Muitas vezes, a criança não desenvolveu ainda um vínculo seletivo suficientemente seguro. |
| "É falta de educação." | O comportamento está ligado a experiências precoces de cuidados insuficientes e falta de segurança relacional. |
| "Basta proibir." | A criança precisa de limites, mas também de repetição, vínculo, segurança e orientação terapêutica. |
| "Vai passar sozinho quando estiver numa família estável." | A estabilidade ajuda muito, mas muitas crianças precisam de intervenção e treino de limites. |
| "É igual à Perturbação Reativa de Vinculação." | Na PRV há retraimento; na PESD há aproximação indiscriminada a adultos desconhecidos. |
| "A criança está a manipular." | O comportamento pode ser uma tentativa desorganizada de procurar atenção, contacto ou segurança. |
| "A psicoterapia é só para a criança." | A intervenção deve envolver os cuidadores, porque a segurança é construída na relação diária. |
Quando Procurar Ajuda
Deve procurar ajuda se a criança se aproxima de adultos desconhecidos de forma excessivamente familiar e sem cautela.
Também deve procurar apoio se a criança:
- ✦
se afasta em locais públicos sem verificar o cuidador;
- ✦
aceita ir com adultos desconhecidos;
- ✦
procura colo ou contacto físico com pessoas que acabou de conhecer;
- ✦
fala de forma íntima com estranhos;
- ✦
não distingue bem familiares, conhecidos e desconhecidos;
- ✦
tem história de negligência, abandono, acolhimento, adoção, institucionalização ou mudanças repetidas de cuidadores;
- ✦
parece procurar atenção de qualquer adulto;
- ✦
se coloca em risco por falta de limites sociais;
- ✦
não responde a regras simples de segurança.
A Perturbação de Envolvimento Social Desinibido pode melhorar com ambiente seguro, cuidadores estáveis, limites consistentes, treino de segurança social, intervenção precoce e psicoterapia adequada.
Com Psicoterapia HBM, orientação aos cuidadores e trabalho relacional consistente, é possível ajudar a criança a construir vínculo seletivo, distinguir adultos seguros de desconhecidos e desenvolver maior segurança emocional.
Se houver risco imediato de a criança se afastar com desconhecidos, exposição a abuso, negligência ativa ou perigo atual, deve ser acionada proteção adequada e apoio especializado.
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Referências Científicas
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