Clínica da Mente
Honestidade sobre o Insucesso

Clínica da Mente: Quando o tratamento não alcança os resultados esperados

Existem opiniões negativas sobre a Clínica da Mente e pessoas que não alcançaram as melhorias que esperavam. Quando alguém investe tempo, dinheiro e esperança num processo terapêutico, essa frustração é legítima e merece ser ouvida.

Nesta entrevista, Pedro Brás reconhece que nenhuma psicoterapia funciona da mesma forma para todas as pessoas e explica como a Clínica avalia a evolução, o que faz quando o processo não avança como esperado e como responde a quem teve uma experiência negativa.

Reconhecer estas situações não significa ignorar os milhares de percursos positivos realizados na Clínica da Mente. Significa assumir que cada caso deve ser analisado com seriedade, responsabilidade e respeito pela experiência de cada pessoa.

Publicado a 25 de abril de 2025 · Actualizado a 12 de julho de 2025 · Por Pedro Brás

Há opiniões negativas sobre a Clínica da Mente online. Reconhece que nem sempre funciona?

Sim, reconheço. Nenhuma clínica, nenhum profissional e nenhuma abordagem psicoterapêutica alcançam os mesmos resultados com todas as pessoas. Cada caso tem uma história, um contexto, uma complexidade clínica e um percurso próprios.

Os nossos dados internos indicam que 92% das pessoas incluídas no estudo alcançaram os objetivos terapêuticos definidos. Isso significa também que, em 8% dos casos analisados, esses objetivos não foram plenamente atingidos. Não escondemos essa realidade: os resultados e a metodologia utilizada podem ser consultados na nossa área de investigação.

Este número não representa uma garantia individual nem significa que todos os casos classificados como positivos tiveram exatamente a mesma evolução. Representa o resultado observado na amostra estudada, segundo os critérios definidos nesse trabalho.

Para mim, a questão mais importante não é afirmar que existe sucesso em todos os casos — porque isso não seria verdadeiro. É saber reconhecer quando o processo não está a evoluir como esperado e perceber o que fazemos nessa situação.

É sobre essa responsabilidade, sobre a forma como reavaliamos cada caso e sobre as respostas que procuramos dar a quem não alcançou o resultado esperado que quero falar.

Quais são as razões mais comuns para o insucesso ou abandono do processo?

Ao longo de mais de 18 anos e de mais de 16.000 acompanhamentos, percebemos que, quando a evolução não corresponde ao esperado, raramente existe uma única explicação. Normalmente, estão envolvidos vários fatores que devem ser analisados sem conclusões automáticas e sem responsabilizar apenas a pessoa ou o terapeuta.

Um dos fatores é a complexidade da situação clínica. Há histórias emocionais marcadas por experiências traumáticas, perdas sucessivas, relações difíceis ou padrões construídos ao longo de muitos anos. Nestes casos, as oito semanas de intervenção intensiva podem não ser suficientes para alcançar todos os objetivos, sendo necessário ajustar ou prolongar o acompanhamento.

O contexto de vida também pode interferir. Uma crise familiar, profissional, financeira ou de saúde pode aumentar o sofrimento e dificultar temporariamente o trabalho psicoterapêutico. Nestas situações, podemos ter de rever os objetivos, adaptar o ritmo ou articular o processo com outro tipo de apoio.

Outro fator importante é a relação terapêutica. Mesmo quando existe competência profissional, nem sempre se estabelece a ligação necessária entre a pessoa e o terapeuta. Quando isso acontece, deve ser possível falar abertamente sobre a situação e, se for adequado, mudar de profissional.

Também é necessário avaliar se o diagnóstico inicial, o modelo de intervenção e o plano escolhido continuam ajustados às necessidades da pessoa. Por vezes, a evolução revela informação que não estava clara no início e obriga a reavaliar o percurso.

Por fim, a psicoterapia exige continuidade e participação. Não é algo que o terapeuta faz à pessoa, nem uma responsabilidade que possa ser colocada apenas sobre o paciente. É um trabalho partilhado: cabe à pessoa comunicar o que sente e participar no processo, e cabe à Clínica acompanhar a evolução, identificar dificuldades e ajustar a intervenção sempre que necessário.

O mais importante é não utilizar nenhum destes fatores como uma explicação automática para a ausência de resultados. Cada situação deve ser analisada individualmente, com a pessoa, o terapeuta e a supervisão clínica.

O que faz a Clínica da Mente quando um paciente não está a evoluir como esperado?

Temos um procedimento clínico definido para estas situações. Quando a evolução não corresponde ao esperado, não assumimos automaticamente que o problema está na pessoa nem esperamos pelo final do programa para agir.

O primeiro passo é a reavaliação clínica. O terapeuta revê com a pessoa os objetivos definidos, as mudanças já observadas, as dificuldades encontradas e a forma como está a decorrer a relação terapêutica. O caso é também apresentado à supervisão clínica para obter uma análise adicional e decidir se o plano continua adequado.

A partir dessa reavaliação, podemos ajustar os objetivos, adaptar a intervenção ou alterar o ritmo do acompanhamento. Por vezes, a evolução do processo revela necessidades que não estavam claras na avaliação inicial e que justificam uma mudança no percurso.

Também pode ser proposta a mudança de terapeuta. Mesmo quando existe competência profissional, nem sempre se estabelece a ligação necessária entre a pessoa e o terapeuta. Essa situação deve poder ser comunicada sem julgamento. Quando a mudança é considerada adequada, procuramos assegurar a transição para outro profissional da equipa, sem custos adicionais.

Quando a intensidade dos sintomas, o risco clínico ou outras circunstâncias o justificam, podemos recomendar uma consulta de psiquiatria. Essa avaliação não significa abandonar a psicoterapia nem reduzir o sofrimento emocional a uma questão médica. Significa acrescentar uma opinião especializada e, quando existe indicação médica, articular os diferentes acompanhamentos.

Também há situações em que concluímos que outro profissional, especialidade ou serviço poderá responder melhor às necessidades da pessoa. Nesses casos, a decisão responsável é explicar essa conclusão e orientar o encaminhamento.

O meu compromisso é este: quando o processo não está a evoluir, não ignoramos a situação nem atribuímos automaticamente a responsabilidade ao paciente. Reavaliamos, ouvimos, supervisionamos e procuramos a resposta mais adequada para aquele caso.

O que diria a alguém que teve uma má experiência na Clínica da Mente?

Diria, antes de mais, que quero ouvir a sua experiência com respeito e sem a desvalorizar.

Quando alguém investe tempo, dinheiro e, sobretudo, esperança num processo terapêutico e não alcança os resultados que esperava, a frustração é legítima. Mesmo que outras pessoas tenham tido experiências positivas, isso não apaga aquilo que essa pessoa viveu.

Quero que qualquer pessoa que considere ter tido uma má experiência contacte diretamente a Direção Clínica. Não para receber uma resposta automática ou para entrarmos imediatamente numa posição de defesa, mas para que possamos analisar o seu caso: o que foi avaliado, que acompanhamento foi proposto, como decorreu o processo, que dificuldades foram comunicadas e que resposta foi dada.

Se existiu uma falha da nossa parte, devemos reconhecê-la e perceber o que pode ser corrigido. Se houve um problema de comunicação, uma quebra na relação terapêutica ou expectativas diferentes sobre o resultado, também devemos esclarecê-lo. E, se entendermos que atuámos corretamente, temos o direito de explicar a nossa posição com a mesma clareza.

O que não aceito é que experiências individuais sejam utilizadas para definir toda a Clínica da Mente como uma organização que apenas procura obter dinheiro e não se preocupa com as pessoas. Esse retrato não corresponde ao trabalho que conheço, às equipas que acompanho nem à experiência da grande maioria das mais de 16.000 pessoas que passaram pela Clínica ao longo de 18 anos.

Os nossos dados internos de satisfação mostram uma avaliação muito positiva dos serviços entre as pessoas incluídas no estudo. Esses resultados não anulam uma má experiência, mas também devem fazer parte de uma apreciação equilibrada sobre a Clínica.

A minha posição é simples: uma experiência negativa deve ser ouvida e investigada. Mas deve ser analisada como um caso concreto, com todos os factos disponíveis, e não transformada automaticamente numa conclusão sobre todos os profissionais, todos os tratamentos e toda a história da Clínica da Mente.

Acusam a Clínica da Mente de criar expectativas irrealistas. O que diz?

É uma crítica que levo a sério, mas não concordo que a Clínica da Mente crie deliberadamente expectativas irrealistas.

A nossa comunicação procura transmitir esperança a pessoas que, muitas vezes, chegam até nós depois de anos de sofrimento e de várias tentativas de tratamento. Falar da possibilidade de mudança e apresentar os resultados que observamos não é prometer milagres. É mostrar que a recuperação é possível.

Nunca garantimos que todas as pessoas ficariam recuperadas num número determinado de sessões. Nunca dissemos que todos alcançariam o mesmo resultado nem que o processo seria fácil, linear ou emocionalmente confortável.

O que afirmamos é que a fase intensiva do nosso programa está estruturada ao longo de oito semanas, com sessões individuais, objetivos definidos e avaliação da evolução. Depois dessa fase existem dois meses de consolidação e, nos planos que o incluem, acompanhamento durante o restante período anual.

É importante distinguir a duração do programa intensivo de uma promessa de resultado. As oito semanas definem a estrutura da intervenção, não uma garantia de que todas as pessoas terão exatamente a mesma evolução nesse período.

É também por isso que realizamos uma Consulta de Avaliação e Diagnóstico antes de qualquer adesão. Durante essa consulta, procuramos compreender a situação, avaliar a adequação do programa, explicar as diferentes fases e esclarecer o que pode realisticamente ser esperado em cada caso.

Quero que quem nos procura tenha esperança, mas também informação. Apresentamos um percurso estruturado e os resultados que temos observado, deixando claro que nenhuma psicoterapia pode garantir antecipadamente um resultado individual.

Se teve uma má experiência na Clínica da Mente e quer ser ouvido, contacte diretamente a nossa Direção Clínica. Estamos disponíveis para ouvir, para responder e para encontrar soluções. Se está a ponderar iniciar um processo terapêutico e tem dúvidas sobre se o modelo HBM é adequado para a sua situação, o melhor caminho é a Consulta de Avaliação.