O Modelo de Psicoterapia HBM: O Que É, Como Funciona e Porque Resulta
A Psicoterapia HBM é o método desenvolvido pela Clínica da Mente. Ao longo de mais de 18 anos, tem ajudado milhares de pessoas a recuperar de perturbações emocionais profundas. Mas por ser uma abordagem inovadora, gera também dúvidas, debates e algumas críticas. Convidámos o nosso fundador e criador do método, Pedro Brás, para explicar exatamente o que fazemos no consultório e responder às questões mais difíceis sobre a validade e eficácia do modelo.
Publicado a 25 de abril de 2025 · Actualizado a 12 de julho de 2025 · Por Pedro Brás
O modelo de Psicoterapia HBM é frequentemente criticado como pseudociência. Como responde a essa acusação?
Respondo a essa acusação com o trabalho realizado, com os resultados que recolhemos e com a informação que disponibilizamos para análise.
Desde o início da Clínica da Mente que procuramos avaliar sistematicamente a evolução das pessoas acompanhadas. Para isso, criámos o Núcleo de Investigação HBM, utilizamos instrumentos psicométricos antes e depois do tratamento e publicamos estudos com os resultados observados em diferentes perturbações emocionais.
Nos estudos disponíveis, observámos resultados clinicamente relevantes. Na Perturbação Depressiva Major, 96,46% das pessoas incluídas no estudo apresentou uma redução significativa dos sintomas. Na ansiedade, 90,3% da amostra terminou o tratamento sem ansiedade ou com níveis considerados leves. Nos ataques de pânico, registámos uma redução significativa em 93,87% dos casos analisados. Na Perturbação Obsessivo-Compulsiva, 79,4% da amostra atingiu níveis ligeiros ou ausência de sintomas.
No nosso estudo geral, 92% das pessoas incluídas alcançou os objetivos terapêuticos definidos e 100% classificou os serviços como "Bom" ou "Muito Bom". Estes resultados correspondem às amostras, instrumentos e critérios descritos em cada estudo e não representam uma garantia do resultado individual.
Rejeito que o modelo HBM seja classificado como pseudociência apenas por não pertencer às abordagens tradicionalmente reconhecidas pela Ordem dos Psicólogos ou por seguir um paradigma psicoterapêutico diferente.
Uma crítica científica deve analisar o modelo, os seus fundamentos, as técnicas utilizadas, a forma como os resultados são avaliados e a metodologia dos estudos disponíveis. Não deve limitar-se a aplicar um rótulo e a ignorar todo o trabalho clínico e de investigação desenvolvido.
Não peço confiança cega no modelo HBM. Apresento os nossos dados, disponibilizo os estudos e aceito que sejam analisados e discutidos. É dessa avaliação séria — e não apenas de opiniões favoráveis ou desfavoráveis — que deve resultar qualquer conclusão sobre o nosso trabalho.
Dizem que o HBM é apenas hipnose e PNL com outro nome. É verdade?
Não. A Psicoterapia HBM não é hipnose nem Programação Neurolinguística apresentada com outro nome.
No desenvolvimento do modelo estudei diferentes abordagens e técnicas de intervenção, incluindo princípios utilizados na hipnose clínica e na PNL. Alguns desses conhecimentos contribuíram para a construção inicial do HBM, mas foram integrados, reformulados e organizados num modelo psicoterapêutico próprio, com uma compreensão do problema, um protocolo e técnicas específicas.
No processo HBM, a pessoa mantém-se consciente, orientada e em interação com o terapeuta. Não procuramos induzir um estado de transe, implantar sugestões ou convencer a pessoa a pensar de determinada maneira. Por essa razão, não apresentamos aquilo que fazemos como hipnose.
O que distingue a HBM começa na forma como compreendemos o sofrimento emocional. Não vemos a ansiedade, a depressão ou os ataques de pânico como acontecimentos isolados ou como o resultado de um simples desequilíbrio químico. Procuramos compreender que experiências, memórias, crenças e aprendizagens emocionais contribuíram para a construção dos padrões que continuam a condicionar a pessoa no presente.
A partir desse mapa individual, identificamos experiências emocionalmente relevantes e trabalhamos a relação que a pessoa mantém com essas memórias. Uma das técnicas centrais deste processo é a RED (Ressignificação Emocional Dinâmica), utilizada para reduzir e dissociar a carga emocional negativa associada à experiência trabalhada.
Não se trata de apagar memórias, alterar factos ou sugerir à pessoa que já não sente determinado problema. A memória permanece, mas procuramos que deixe de provocar a mesma resposta emocional automática e de condicionar o presente com a mesma intensidade.
É esta combinação entre o mapeamento da história emocional, a identificação dos padrões atuais, um processo estruturado de psicoterapia e técnicas próprias como a RED que faz da HBM um modelo distinto, e não apenas uma nova designação para hipnose ou PNL.
A Clínica da Mente parece ser contra a medicação. Qual é a vossa posição real?
Nós não somos contra a medicação. Somos contra a medicação como resposta única, automática e exclusiva para o sofrimento emocional.
Há momentos em que os psicofármacos são absolutamente necessários. Quando uma pessoa está num pico sintomatológico agudo, a medicação prescrita por um médico é fundamental para estabilizar o sistema nervoso e permitir que o trabalho psicoterapêutico aconteça. É por isso que a nossa equipa inclui psiquiatras.
O problema, e o que nós criticamos, é a prescrição excessiva sem um trabalho de fundo. A medicação atua sobre os sintomas físicos, mas não resolve a causa emocional que os originou. É como tomar um analgésico para uma dor de dentes sem tratar a cárie. O modelo HBM propõe uma intervenção na causa: ao resolvermos o conflito emocional, os sintomas físicos que exigiam medicação tendem a desaparecer naturalmente.
Em que é que a Psicoterapia HBM é diferente de outras abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)?
A Terapia Cognitivo-Comportamental é uma abordagem excelente e muito válida, focada em identificar e alterar padrões de pensamento e comportamento no presente. É um trabalho muito racional e consciente.
O modelo HBM atua num nível diferente. Nós acreditamos que tentar mudar um comportamento apenas pela via racional é muito difícil se a emoção que o alimenta continuar lá. Se uma pessoa tem ataques de pânico porque o seu cérebro associou uma determinada situação a um perigo extremo no passado, não basta explicar-lhe racionalmente que não há perigo. É preciso ir à memória original e retirar-lhe a carga de medo. O HBM foca-se na causa emocional profunda, o que permite mudanças mais rápidas e, na nossa experiência, mais duradouras. São abordagens diferentes para necessidades diferentes.
Que evidências têm de que o modelo HBM realmente funciona e não é apenas efeito placebo?
A possibilidade de existir um efeito de expectativa deve ser considerada em qualquer intervenção de saúde. A questão correta é perceber se as mudanças observadas são consistentes, clinicamente relevantes e mantidas para além do contexto imediato da sessão.
A evidência que apresentamos começa nos resultados clínicos que documentamos há mais de 16 anos. Utilizamos instrumentos psicométricos para comparar o estado emocional das pessoas antes e depois do tratamento e analisamos a evolução dos sintomas e dos objetivos terapêuticos definidos.
Nos estudos disponíveis, observámos uma redução significativa dos sintomas em diferentes condições. Na Perturbação Depressiva Major, 96,46% das pessoas incluídas no estudo apresentou uma redução significativa. Nos ataques de pânico, essa redução foi observada em 93,87% da amostra analisada. Noutras condições, foram igualmente registadas mudanças relevantes nos instrumentos utilizados.
Também não avaliamos a evolução apenas através da afirmação de que a pessoa "se sente melhor" no consultório. Procuramos perceber se recuperou capacidade para trabalhar, relacionar-se, retomar atividades, enfrentar situações anteriormente evitadas e viver com maior estabilidade emocional.
Ao longo dos anos, acompanhámos mais de 16.000 pessoas e recebemos relatos de mudanças que se mantiveram depois da fase intensiva do tratamento. A consolidação e o acompanhamento posterior existem precisamente para observar a adaptação ao quotidiano e apoiar a manutenção dessas mudanças.
Os nossos estudos documentam os resultados observados nas amostras avaliadas. Para comparar diretamente a Psicoterapia HBM com um efeito placebo ou com outras intervenções seriam necessários estudos controlados e independentes desenhados especificamente para responder a essa questão.
Por isso, não baseio a defesa do HBM numa afirmação impossível de verificar. Baseio-a nos dados clínicos que recolhemos, nos instrumentos utilizados, na consistência das mudanças observadas e na experiência acumulada ao longo de milhares de acompanhamentos.
O Núcleo de Investigação HBM mantém-se disponível para colaborar com universidades e centros de investigação que pretendam aprofundar o estudo do modelo. Não receamos a análise científica. Queremos que o nosso trabalho seja avaliado pelos dados, pela metodologia e pelos resultados que conseguimos demonstrar.
Ler sobre um modelo psicoterapêutico é importante, mas a verdadeira compreensão acontece na prática. Se sente que as abordagens tradicionais não resolveram o seu sofrimento e quer perceber como o modelo HBM se aplicaria à sua história de vida, o primeiro passo é falar connosco. Marque uma Consulta de Avaliação. Terá 90 minutos com um dos nossos psicoterapeutas para expor a sua situação, perceber a nossa abordagem clínica e decidir, com total segurança, se este é o caminho certo para a sua recuperação.
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Tudo sobre Psicoterapia HBM
Pedro Brás explica o que é a Psicoterapia HBM, como funciona na prática e responde às perguntas mais frequentes sobre esta metodologia exclusiva.

